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Laudo do CPC sobre Real Class sai em duas semanas

Faltam cinco dias para completar dois meses da queda do edifício Real Class, e os peritos do Centro de Perícias Científicas Renato Chaves trabalham para concluir o laudo. Três peritos devem finalizar nesta sexta-feira o trabalho de campo na área do desaba

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Faltam cinco dias para completar dois meses da queda do edifício Real Class, e os peritos do Centro de Perícias Científicas Renato Chaves trabalham para concluir o laudo. Três peritos devem finalizar nesta sexta-feira o trabalho de campo na área do desabamento e se concentrar nos testes laboratoriais e em redigir a perícia.

Dois peritos já começaram a escrever na semana passada o laudo pericial. “Devemos entregar o resultado da perícia em duas semanas”, enfatizou o coordenador de Engenharia Legal do CPC Renato Chaves, Silvio Conceição. “Iniciamos na semana passada o trabalho com o martelete pneumático, espécie de britadeira que foi cedida pela construtora, para verificar os blocos de fundação. Começamos a quebrar, mas o equipamento teve que ser deslocado para outra obra, e agora estamos aguardando que nos cedam outro para retomar a verificação”, explicou o perito.

De acordo com ele, na última terça-feira, foram rompidos seis corpos de prova de concreto e dois de aço no laboratório de engenharia da Unama. “Estamos com o levantamento topográfico da laje do subsolo, que apontou um desnível de seis centímetros e um recalque próximo ao pilar nº 22, e em cima disso estamos analisando se houve um afundamento da laje que pode caracterizar uma falha na execução do projeto estrutural”, informou Silvio.

Mas para se constatar de fato se o que houve com a laje foi uma falha ou algo que ocorreu por conta do impacto do colapso do prédio, o coordenador de engenharia do CPC esclarece que é necessário cortar as ferragens da laje e escavar o terreno ao redor para analisar as cabeças das estacas e os blocos de fundação.

Nova falha apontada pela UFPA

Mais de dez dias após entregar o laudo pericial elaborado a pedido do Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia (CREA-PA), que já encaminhou o documento para análise da Câmara Especializada de Engenharia Civil, os engenheiros do Grupo de Análise Experimental de Estruturas e Materiais (Gaema/UFPA) apontam que existem outras questões referentes ao Real Class que não foram divulgadas.

“A norma na construção civil para utilização do ferro diz que o menor diâmetro que deve ser utilizado é de 5 milímetros para estribo, mas foi justamente o que foi utilizado na obra, que representa um erro metodológico que se soma a outros problemas estruturais que já divulgamos como causa da queda do prédio”, revelou Manoel Diniz Perez, coordenador da Faculdade de Engenharia Civil da UFPA.

O ACIDENTE

No dia 29 de janeiro, por volta das 14h, o edifício em construção Real Class veio abaixo com 34 pavimentos que abrigariam 60 apartamentos com custo aproximado de R$ 500 mil cada.

A dona de casa Maria Raimunda Santos, 67 anos, moradora de uma casa ao lado que foi soterrada, e os operários Manoel Raimundo da Paixão e José Paula Barros morreram no acidente. (Diário do Pará)

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