O diretor executivo de operações e metais básicos da Vale e atual presidente da Vale Inco, subsidiária da mineradora no Canadá, Tito Martins, deverá assumir provisoriamente a presidência da companhia, no lugar do executivo Roger Agnelli, que estava há dez anos no comando da empresa.
A escolha de um nome “da casa” foi a fórmula encontrada pelo governo para conduzir a transição naquela que é a maior empresa privada do Brasil e a segunda maior companhia mineradora do mundo.
A saída de Roger Agnelli vinha sendo cogitada desde 2008, quando ele decidiu cortar investimentos e anunciou demissões na companhia para ajustar o seu efetivo de pessoal à queda de produção em algumas áreas operacionais, provocada pela crise financeira internacional. A decisão deixou irritado, na época, o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que não poupou críticas ao principal executivo da mineradora.
NOMES
Ao se confirmar ontem (25) à tarde a notícia da substituição de Roger Agnelli, vários nomes passaram a ser cogitados para assumir a presidência da Vale. Além de Tito Martins, cuja efetivação no cargo é uma possibilidade que não deve ser descartada, são citados pelo menos outros três nomes como candidatos em potencial. Um deles é Wilson Brummer, que presidiu a Vale na década de 1990, quando ela era ainda estatal, e hoje preside a Usiminas. Os outros são Fábio Barbosa, presidente do Banco Santander, e Antônio Maciel Neto, presidente da Suzano Papel e Celulose.
MUDANÇA
Nos últimos dias, tendo persistido no novo governo o empenho em promover a mudança, o assunto passou a ser tratado diretamente pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, e por delegação dele pelo presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho. A substituição de Roger Agnelli ganhou ainda mais força no início desta semana, quando se tornou pública a notícia de um encontro do ministro da Fazenda com o presidente do Conselho de Administração do Bradesco, Lázaro Brandão.
Embora tenha participação acionária na Vale, a União não tem cacife para, sozinha, promover mudanças no comando da empresa. Sua interferência no assunto se dá através da Bradespar, empresa de participações dos donos do Bradesco, que detêm 21,21% da Valepar, a holding controladora da Vale. Egresso do Bradesco, aliás, Roger Agnelli foi escolhido pelo banco, em 2001, para comandar a Vale. Agora, o mesmo Bradesco, sob pressão do governo, está tomando a decisão de substituí-lo no cargo.
Nas últimas horas, com o aumento das pressões por parte do governo e a movimentação mais ostensiva de seus dois operadores – Guido Mantega e Luciano Coutinho –, os profissionais do setor e os analistas de mercado passaram a considerar iminente a queda do presidente da Vale. Foi o que aconteceu ontem à tarde, vindo a confirmação através de uma curta nota publicada na coluna de Ancelmo Gois, no website O Globo. Tão logo tomou conhecimento da notícia, Roger Agnelli deixou o escritório da empresa, no centro do Rio de Janeiro, e tomou um helicóptero com destino a sua casa em Angra dos Reis. (Diário do Pará)
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