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Prepare-se para enfrentar tempestades

Em Belém, a chuva é companheira constante, assim como a umidade que torna o ar quase líquido. O mesmo acontece em praticamente todo o Pará, mas as condições climáticas tendem a se alterar um pouco nos próximos vinte anos: teremos menos dias chuvosos mas,

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Em Belém, a chuva é companheira constante, assim como a umidade que torna o ar quase líquido. O mesmo acontece em praticamente todo o Pará, mas as condições climáticas tendem a se alterar um pouco nos próximos vinte anos: teremos menos dias chuvosos mas, em compensação, muitas tempestades. Foi o que afirmou o meteorologista Luís Carlos Baldicero Molion, palestrante convidado de evento alusivo ao dia Meteorológico Mundial, realizado ontem pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet).

Intitulada “Causas Geofísicas das Mudanças Climáticas”, a apresentação do climatologista apontou que nos próximos 20 anos o planeta sofrerá um resfriamento global: “O sol é a nossa principal fonte de energia e está entrando no grau mínimo de atividade nos dois próximos ciclos de 11 anos de manchas solares, até o ano 2030 - o que acontece a cada cem
anos -, além de ficar com o campo magnético fraco, o que permite que os raios cósmicos penetrem e condensem o ar na atmosfera, impedindo o aquecimento”.

Mas junto ao sol exercendo o controle do clima estão os oceanos, e em particular o Pacífico, que ocupa 35% da superfície terrestre. “Como a atmosfera é aquecida por baixo e a oscilação da temperatura nesse oceano entre fases quentes e frias, aponta que nos próximos 20 anos ele, que já vem esfriando desde 1999, entrará numa nova fase fria, e se isso se confirmar enfrentaremos um resfriamento global, que a história já nos provou ser mais nocivo para a humanidade do que o aquecimento”, entregou Molion, que dirige o Instituto de Ciências Atmosféricas da Universidade Federal de Alagoas (Ufal).

RESFRIAMENTO

Ele explicou para os alunos e meteorologistas presentes que o resfriamento global já ocorreu no período entre 1947 e 1976. “A paleoclimatologia - estudo das variações climáticas ao longo da história da Terra - aponta que sempre houve catástrofes meteorológicas, a maior seca do nordeste foi em 1877 até 1879, o furacão americano mais mortífero foi no Texas em 1900 e matou 10 mil pessoas. As maiores cheias no Porto de Manaus aconteceram em 1922, 1953 e 1956. O agravante hoje é que, por conta do aumento populacional e da maior parte da população morar nos centros urbanos, o estrago que as alterações climáticas provocam é maior”, sintetizou.

“Não há evidências de aumento no nível do mar, nem de que o degelo da Antártica e do Ártico seja permanente. Boa parte do gelo que derrete é flutuante, o que não altera a superfície. Não se pode falar em crise no clima, mas sim em fenômenos climáticos que não podem ser confundidos com a vulnerabilidade da população mundial nem com a previsão e prevenção de eventos extremos”, frisou Molion, que representa a América Latina na Organização Meteorológica Mundial.

DESNECESSÁRIO

Polêmico, o meteorologista acredita que reduções de emissões de carbono são inúteis e não vão produzir efeito no clima: “O CO2 é o gás da vida, não é vilão nem controla as alterações climáticas: ele fertiliza as plantas e com elas todo o ciclo de produtividade que gera os alimentos. Estudos demonstraram que já houve períodos em que tivemos temperaturas altas e baixa presença de CO2 na atmosfera”.

De acordo com Molion, os modelos climáticos não têm condições de criar um planejamento meteorológico para o futuro, simplesmente por não conseguir reproduzir o clima passado. “Sim, o clima muda principalmente por causas naturais, geofísicas e astrofísicas. Mas, apesar de não ser responsável pelas alterações climáticas, o homem tem que conservar o meio ambiente para preservar a própria espécie”, arrematou o pós-doutor em meteorologia e membro do Instituto de Estudos Avançados de Berlim. (Diário do Pará)

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