Revoltados com a morte brutal do professor de educação física Thiago Leonam Rosário, 26 anos, vizinhos, amigos e familiares interditaram uma das pistas da avenida João Paulo II, à altura do Batalhão Ambiental, na manhã de ontem. O protesto durou duas horas.
O professor foi atropelado e morto na madrugada deste domingo (27), quando chegava em sua residência. No mesmo acidente, Ivanildo de Lima, 29 anos, e Rose Paula Dias de Carvalho, 23 anos, que estavam no mesmo veículo, ficaram feridos.
O acusado de provocar o acidente, Paulo Silva Brandão, dirigia um Ford Ecosport preto, em alta velocidade no sentido Souza/Centro, quando atingiu um automóvel Corsa. No momento, Thiago Leonam saía do carro, ao retornar de uma festa com os amigos.
Segundo testemunhas, o condutor do Ford EcoSport chegou a arrastar o Corsa em que estavam as vítimas até uma distância de quase cinquenta metros, deixando o carro totalmente destruído. Amigos da vítima disseram também que a Polícia Militar encontrou bebida alcoólica dentro do EcoSport.
O irmão da vítima informou que o atropelador, em cujo carro havia a inscrição “Rikinho”, teria ligado para alguém da sua família dizendo “Morreu apenas um e pode ficar tranquila que eu pago a fiança”.
O atropelamento e morte na avenida João Paulo II neste final de semana se soma a três outros acidentes fatais ocorridos num prazo de seis meses. No protesto, Josiana Rodrigues ainda chorava a morte do filho João Paulo, de 11 anos, ocorrido em dezembro do ano passado na mesma avenida. “Meu filho brincava na calçada quando foi atingido pelo carro que participava de um pega” disse Josiana.
Revoltados, os amigos do professor Thiago Leonam Rosário cobravam da Companhia de Transportes do Município de Belém (CTBel) a instalação de radares ou mesmo lombadas no local.
Durante duas horas, policiais ambientais, cujo quartel fica próximo ao local do protesto, organizaram o trânsito até a chegada de agentes da CTBel.
Policiais militares da 10ª Zona de Policiamento, com o major Cidon e o comandante do 1º BPM, coronel Paulo Barata, foram negociar o fim do protesto.
Antonio Costa, morador do perímetro, disse que todos os finais de semana acorda com o barulho de veículos com descargas livres, em alta velocidade, participando de “pegas”.
“Eles saem dos clubes aqui próximo e, embriagados, colocam em risco a vida dos moradores. Não há um final de semana sem acidentes neste perímetro” disse Antonio Costa.
O comandante do 1º Batalhão da Polícia Militar, coronel Paulo Barata, intermediou uma reunião com a superintendente da CTBel, Ellen Margareth, marcada para esta quarta-feira, onde os moradores da área vão solicitar que a companhia construa lombadas no decorrer da via. (Diário do Pará)
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