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Após morte, restam a dor e o medo da Dengue

Familiares e vizinhos de Rosa Maria Dias Pereira, 50 anos, morta na última sexta-feira vítima de dengue hemorrágica, têm medo de estarem contaminados com o vírus. Rosa não foi o único caso nas proximidades da rua Roso Danin, bairro de Canudos. “Aqui n

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Familiares e vizinhos de Rosa Maria Dias Pereira, 50 anos, morta na última sexta-feira vítima de dengue hemorrágica, têm medo de estarem contaminados com o vírus. Rosa não foi o único caso nas proximidades da rua Roso Danin, bairro de Canudos. “Aqui nos arredores a situação está grave. Já adoeceu um senhor, uma criança de seis anos, a minha mãe, a filha de uma vizinha e a mãe de uma amiga minha, que diagnosticaram como dengue hemorrágica”, contou Mariana, uma das filhas de Rosa.

“Nunca me senti revoltada, mas agora fico, porque minha irmã morreu muito de repente por uma doença que poderia ser evitada pela vigilância sanitária”, opinou Laurilena, que veio de São Paulo para o velório da irmã. O viúvo Clóvis Maurity lembra que a esposa deu entrada no Hospital Adventista de Belém no sábado (19) com sintomas clássicos da dengue. Lá ela fez o hemograma, mas não acusou nada, então receitaram paracetamol, hidratação e repouso. Na quinta, o estado dela piorou.

Clóvis estava viajando e voltou para a cidade quando Rosa telefonou dizendo que ia voltar ao hospital. De lá ela não saiu mais: fez exame que mostrou nível de plaquetas baixo e outros sintomas, e acabou sendo diagnosticada com dengue hemorrágica. Faleceu no dia seguinte, às 17h35. “O tempo todo ela foi medicada e assistida, recebia diversas bolsas de soro de plaquetas, mas não adiantou. Lá encontrei uma amiga que também estava com a mãe com dengue. O próprio médico pediu desculpas por não ter conseguido salvá-la e disse que eram muitos casos de dengue enchendo o hospital”.

Ainda no hospital, Clóvis foi entrevistado por uma enfermeira que repassou os dados para a Secretaria Municipal de Saúde. “Agora aguardo que alguém da Sesma venha até aqui falar comigo, coletar o sangue da minha família, investigar. Quero deixar registrado que o poder público não deve tratar só os efeitos, mas principalmente as causas da dengue. Aqui nós sentimos o relaxamento da vigilância sanitária e da saúde. Nunca mais um agente passou aqui nem fez fumacê. A dengue está em todo lugar”.

A chefe do Departamento de Vigilância à Saúde Municipal, Carlene Castro, aguarda o resultado do exame de sangue de Rosa Maria, coletado quando ela estava na UTI. “Mas quando recebemos a notificação fomos até o local, Tomamos todas as providências e fechamos um raio de 300 a 400m, efetuando o bloqueio de transmissão viral”.

Carlene explica que a família Maurity não será examinada, mesmo que algum membro já tenha tido dengue. “Já realizamos os procedimentos para conter a transmissão no local.”

Vizinha da família Maurity, Regina Vieira se diz preocupada com a saúde da filha mais velha, a bióloga Mabriza, 23 anos, que amanheceu ontem com sintomas da dengue. “Ela foi ao hospital sentindo muita dor de cabeça, frio, febre e dor abdominal. O médico examinou, as plaquetas estavam normais e ele pediu que ela tomasse Tylenol, muito líquido e repouso, e voltasse lá no terceiro dia ou se estivesse se sentindo muito mal”, explicou. Mabriza relatou que as dores são mais fortes na nuca e nas articulações do lado direito do corpo. “Estou esperando o efeito dos medicamentos”.

O que é mito ou verdade?

A dona de casa Maria de Nazaré Negrão, 46 anos, mãe de três filhos , orgulha-se de ninguém de sua família ter adquirido dengue. Ela atribui isso a uma rotina de cuidados. Mas será que tudo o que ela faz é mesmo efetivo? O pesquisador do Instituto Evandro Chagas, Pedro Vasconcelos, tira essa e outras dúvidas

1. Uso de velas de andiroba no ambiente e de repelentes na pele para manter o mosquito longe
As velas são válidas, mas somente quando usadas de forma correta. Como o mosquito só se alimenta de dia, as velas devem ficar acesas de dia e em todos os cômodos. Com os repelentes e inseticidas, o cuidado é que podem causar alergia.
2. Fechar todas as portas e janelas no final da tarde e só abrir depois das sete, porque esse é o horário dos mosquitos e carapanãs.
Mito. O horário do Aedes aegypti é diferente dos outros mosquitos. Ele é diurno. Começa a se alimentar no começo da manhã e termina no final da tarde, mas o horário de maior incidência é quando está mais calor.

3. O mosquito pode ser visto a olho nu?
Pode, mas como costuma picar principalmente as pernas e pés e as pessoas não os veem.

4. Tanto o macho como a fêmea podem transmitir a doença?
Somente a fêmea. Ela é quem se alimenta de sangue humano. (PB)

HEMORRÁGICA

Dor abdominal e dificuldade para respirar (sinais de hemorragia interna); Vômitos; Fraqueza e sonolência (especialmente em crianças); Hemorragia externa (como um sangramento na gengiva); Fragilidade capilar (acusada no ‘teste do laço’, onde se observa se as petáquias – manchas vermelhas – vão além do local marcado pelo médico). (Diário do Pará)

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