"Esse rio é minha rua." Essa é a música que sempre canto quando tenho que sair de casa e as ruas estão alagadas. Não dá mais para viver assim, mas a gente reclama e nada muda. E olha que essa chuva nem foi demorada”, disse o eletricista Lourivaldo Medeiros, morador da travessa Fernando Guilhon com a rua Bom Jardim. Ele teve que sair de casa debaixo de chuva, de bicicleta e se equilibrando com uma sombrinha. “Além de sair nessa maré, ainda tenho que ter muita sorte para não cair em um buraco ou vala”.
Dificuldade também passou o entregador de água mineral Silvio Brito Dias, que enfrentou um grande alagamento na passagem Euclides da Cunha com a rua dos Mundurucus. “É uma dificuldade muito grande eu ter que andar com esses quatro bujões de água na garupa e ainda ter que me equilibrar para não cair nessa água”.
A rua dos Mundurucus, entre as travessas 14 de Março e Alcindo Cacela, sempre fica alagada quando chove forte. A água chega a bater perto das portas dos carros e toma as calçadas, dificultando a vida de motoristas e pedestres. “Saí de casa tão limpinha. Agora tenho que meter meu pé nessa água. Não sei por onde andar, tem água para todo lado”, comentou a vigilante Tais da Silveira, que seguia para uma consulta médica no quarteirão alagado.
Por volta das 15h30 a chuva chegou a derrubar uma árvore que nasceu dentro do canal da Três de Maio com a rua Antônio Barreto. A árvore tombou para o meio da rua e contribuiu para que o trânsito naquele trecho ficasse mais lento e confuso.
Na avenida João Paulo II, entre as passagens Gaspar Dutra e Matilde, os moradores dizem que tentam se acostumar com os alagamentos. “Basta chover meia hora que enche tudo aqui”, afirmou Antônio Galvares.
Ainda segundo ele, é comum aos moradores conviverem com isso e para ele a culpa é da prefeitura. “Essa área aqui sempre foi assim. A prefeitura prolongou a antiga 1º de Dezembro, asfaltou, mas o problema continua. A gente não tem quem olhe por nós”, alegou o morador.
Paciência é a arma para enfrentar trânsito lento
No final da tarde um enorme engarrafamento se formou na avenida Almirante Barroso, sentido Entroncamento. Segundo a Companhia de Transportes do Município de Belém (CTBel), o problema se deu porque muitos motoristas, tentando evitar o complexo viário do Entroncamento, decidiram fazer o retorno na Praça São Cristovão, na avenida Júlio César com a Almirante Barroso, para pegar o elevado Dalcídio Jurandir.
Na João Paulo II, o congestionamento se formou por causa dos alagamentos. Vários veículos tentavam fazer o retorno para tentar seguir por outro caminho. Outros arriscavam a passar. “Acho que consigo passar, vi outras motos passando. Se eles conseguem, eu consigo também”, disse o motociclista, Fernando da Silva. Enquanto isso, preocupado, um motorista aguardava o nível da água baixar. “Acho que não dá ainda, vou esperar um pouco para poder passar. Se eu passar aí, meu carro vai parar, pois ele é muito baixo. Se eu for pela Almirante Barroso tá engarrafado”, disse João Miranda.
Com a passagem dos veículos, o lixo no local boiava e alguns pedaços de madeira que saíam dos esgotos se chocavam com as placas dos carros. Com a pancada, as placas caíam e eram recolhidas pelas crianças que brincavam no meio da água.
TEMPO
Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia do Pará, o tempo hoje em Belém estará nublado e encoberto, com pancadas de chuva. (Diário do Pará)
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