O primeiro dia de vigência do decreto do Governo do Estado que proíbe a exportação de pescado do Pará, até o dia 22 de abril, foi marcado por dúvidas entre os balanceiros que trabalham na “Pedra do Peixe” no Ver-o-Peso. A medida, que pretende garantir o consumo do produto pelos paraenses no feriado da Semana Santa, começou a valer ontem.
Fazendo as contas das vendas do dia, o balanceiro Marcos dos Santos, que conseguiu vender na madrugada de ontem três toneladas de peixe, estranhou a ausência dos caminhões frigoríficos que passam a madrugada estocando peixe para levar para fora do Estado. “Não deu muito caminhão. Hoje vendemos só pras feiras e supermercados daqui mesmo”, afirma. Apesar de perceber a mudança, ele não estava sabendo que o período da proibição da exportação já havia começado. “Fui saber agora”.
Quem também confundiu as datas do início de vigência do decreto foi o balanceiro Ronaldo de Oliveira. “Não é cinco dias antes da Semana Santa?”, perguntou confuso. Apesar disso, ele também percebeu uma mudança na rotina. “Quase não tinha caminhão. A gente teve mais peixe pra vender aqui”. Ele, que ontem vendeu peixe apenas para abastecer o mercado interno, acredita que a suspensão da exportação dificulta o trabalho dos balanceiros. “Pra nós é pior porque se tiver muito peixe pra cá, baixa muito o preço”.
Apesar de ele reclamar da situação, essa é uma boa notícia para a doméstica Edna Santos que, aproveitando a promoção de outro balanceiro, conseguiu comprar três quilos de pescada por R$ 10. “Assim o preço tá razoável”, afirma. “A tendência é melhorar porque aí dá pra vender mais em conta pro pessoal”, concorda João Queiroz, balanceiro que fazia a promoção do pescado que ainda não havia sido vendido.
Porém, na opinião do balanceiro Paulo Garcia, para que a medida dê certo é preciso que haja fiscalização no momento da chegada do produto na pedra. “As pessoas falam, mas se não botar fiscalização não dá certo”, afirma. Segundo a Secretaria de Estado de Pesca e Aquicultura (Sepaq), as fiscalizações serão feitas a partir da suspensão da emissão de Guias de Transporte Animal (GTA) pela Adepará e de notas fiscais para o produto pela Secretaria de Estado de Fazenda (Sefa).
(Diário do Pará)
Seja sempre o primeiro a ficar bem informado, entre no nosso canal de notícias no WhatsApp e Telegram. Para mais informações sobre os canais do WhatsApp e seguir outros canais do DOL. Acesse: dol.com.br/n/828815.
Comentar