As lideranças políticas e os dirigentes empresariais do Pará reagiram com discrição ao anúncio do nome do novo presidente da Vale S.A. Em reunião prévia realizada na segunda-feira (4), os acionistas controladores da mineradora decidiram pela indicação de Murilo Pinto de Oliveira Ferreira para substituir Roger Agnelli no cargo máximo de direção da mineradora a partir de 22 de maio deste ano.
Em viagem oficial à Europa, o presidente da Federação das Indústrias do Estado do Pará (Fiepa), José Conrado Azevedo Santos, que ontem (5) estava em Amsterdam, na Holanda, preferiu não se manifestar, uma vez que não dispõe de informações atualizadas sobre o assunto e só retornará a Belém no início da próxima semana. O empresário Sidney Rosa, vice-presidente da Fiepa e atual secretário de Projetos Estratégicos do Estado, alegou indisponibilidade de agenda para não comentar o assunto. Consultado ontem à tarde, por intermédio de sua assessoria, o governador Simão Jatene também não se manifestou.
O empresário Gualter Leitão, na condição de presidente em exercício da Fiepa, foi mais explícito. O único, aliás, a fazê-lo. Ele disse que, sob nova direção, o relacionamento da Vale com o Sistema Fiepa e com o Estado do Pará vai continuar sendo, “no mínimo”, o mesmo que se verificou no decorrer dos últimos anos.
De acordo com Gualter Leitão, não há como dissociar o futuro da Vale em relação ao Pará, até por conta da extraordinária riqueza e diversidade mineral que o Estado abriga. Ao mesmo tempo, porém, assinalou o presidente em exercício da Fiepa, é preciso reconhecer que o Estado não tem maior capacidade de ingerência na atuação da empresa, já que as riquezas do subsolo pertencem legalmente ao patrimônio da União.
Gualter Leitão considera que os projetos de mineração, como todo e qualquer empreendimento de grande porte, tendem a tornar mais agudos os problemas sociais, econômicos e ambientais, antes de trazer soluções. A começar, segundo ele, pelo aumento da corrente migratória interna, convergindo no caso do Pará para um Estado que já se caracteriza por intenso fluxo migratório. E a partir daí, conforme frisou, vem como consequência o crescimento quase explosivo de demandas por serviços públicos, como saúde, educação, segurança pública, estradas, rodovias e telecomunicações, saneamento e habitação, entre outros.
O vice-presidente da Fiepa assinalou que a Vale, sob o comando de Roger Agnelli, sempre se relacionou de forma muito profissional com o setor empresarial do Pará. “Não diria que foi a relação dos nossos sonhos, mas foi inegavelmente um relacionamento respeitoso. Dentro das limitações que a Vale naturalmente se impõe em defesa de seus interesses, como empresa privada, ela sempre se mostrou sensível às demandas do Sistema Fiepa, que compreende também o Sesi, o Senai e o IEL (Instituto Euvaldo Lodi)”, afirmou. “E assim acho que vai continuar”, aduziu.
Sobre Roger Agnelli, Gualter Leitão disse considerá-lo, à própria luz dos resultados por ele colhidos na presidência da Vale, um dos executivos mais ousados e talentosos do mundo. “É sem dúvida um profissional da mais alta estirpe, que se mostrou capaz de transformar uma grande ex-estatal brasileira numa das maiores empresas privadas do planeta. Como administrador, ele se fez respeitado no Brasil e no exterior”, finalizou. (Diário do Pará)
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