Os membros da Comissão de Saúde da Assembleia Legislativa farão uma vistoria no hospital Santa Casa de Misericórdia hoje à tarde para averiguar as mortes de quatro bebês, ocorridas entre sábado e segunda-feira, na maternidade do hospital. Na sessão de ontem, vários deputados lamentaram as mortes.
Na semana passada, o líder do PSDB, deputado José Megale, apresentou requerimento solicitando que a Comissão de Saúde convide o secretário estadual de Obras, Joaquim Passarinho, para esclarecer sobre o calendário de execução e de conclusão das obras de expansão da maternidade, aprovadas pela AL em 2010, após inúmeras mortes de bebês na Santa Casa. A previsão inicial era que a conclusão das obras seria em dezembro de 2010, mas a atual presidente do hospital, Maria do Carmo Lobato, afirma que somente no primeiro semestre de 2012 é que os novos espaços começarão a funcionar. A fase atual, segundo a presidente, é de licitação pública para compra de equipamentos que serão utilizados na neonatologia e obstetrícia.
Maria do Carmo Lobato participou da arguição na AL, processo previsto na legislação para todos os dirigentes de fundações e autarquias estaduais. Ela classificou as mortes das crianças como lamentável, mas disse que deixou claro aos deputados que não há crise na Santa de Casa de Misericórdia do Pará. “O sonho de todo médico-gestor é conseguir uma taxa de mortalidade zero. Mas, infelizmente, não é possível”.
No entanto, ressalta a médica, a Santa Casa do Pará mantém uma taxa de mortalidade abaixo da média aceita pela Organização Mundial de Saúde, que é de 6%. Ela garante que a Santa Casa tem taxa entre 3.5% e 4.5% de mortalidade infantil. Como o hospital é referência de casos de risco, essa taxa é considerada aceitável, dentro da complexidade do que a Santa Casa atende.
O líder do PT, Carlos Bordalo, também apresentou requerimento sobre a Santa Casa, questionando as mortes dos bebês. Ele pede que seja formada uma comissão externa para verificação das mortes. Bordalo enfatiza que as causas das mortes ainda não foram reveladas, por isso, tudo precisa ser muito bem esclarecido. Ele também ressalta que os depoimentos das mães das crianças levam a crer que algo grave ocorre no hospital, porque em depoimento de uma médica à imprensa, ela disse que pode ter problemas de infecção hospitalar na maternidade. “Na verdade é preciso esclarecimento. Não há informações precisas sobre as mortes”, relaciona o deputado.
O petista propõe que os deputados da comissão ouçam depoimentos de médicos e servidores da Santa Casa, além da direção do hospital, familiares das vítimas e órgãos fiscalizadores da saúde pública e façam um relatório para que providências urgentes sejam tomadas, a fim de evitar novas mortes. (Diário do Pará)
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