O abastecimento de água nos bairros da Sacramenta, Pedreira e Telégrafo se normalizou na manhã de ontem (6), após três dias sem o serviço. Na travessa Mauriti, cenário do sufoco vivido pelos moradores, o único rastro da falta de água era o buraco de cinco metros de profundidade que precisou ser cavado para o conserto da adutora, que rompeu no domingo.
“Hoje está tudo normal. Já lavei minha calça para ir à escola, lavei louça e dei banho no meu gato”, diz a estudante Valéria Albuquerque.
A doméstica Sandra de Nazaré aproveitou para colocar em dia as tarefas de casa. “Foi trabalho dobrado. Meus filhos nem foram para a escola esses dias porque não tinham uma roupa limpa para vestir. Ainda tem muita roupa para lavar, tem que ir devagar. Ainda bem que a minha patroa me deu folga hoje e o sufoco já passou”.
Ela ainda acrescenta que nos últimos dias precisou gastar cerca de R$ 20 para comprar quatro garrafões de água mineral para beber.
O comerciante Antônio Carvalho afirma que, diante da escassez, pensar na importância da água foi inevitável. “Sem água, fica praticamente tudo paralisado. Nesse momento, a água vira um diamante. Só valorizamos quando há uma situação dessa. É um líquido que no futuro vai fazer muita falta”, garante.
Tapanã continua sem abastecimento
Enquanto na Pedreira a situação volta ao normal, nos conjuntos Cordeiro de Farias e Antônio Gueiros, no Tapanã, a instabilidade do abastecimento de água tem atormentado os moradores há mais de uma semana. “Todo dia falta água. A gente se previne enchendo várias vasilhas para não ficar sem água. Ela vai e volta todo dia”, conta Lenilda Ferreira, agente de manutenção da escola “Crescendo com Jesus”, no Cordeiro de Farias .
Dona de um restaurante que fornece comida para vários trabalhadores ao redor do conjunto Antônio Gueiros, Ducineia Cordeiro, mesmo com as dificuldades, nem pode pensar em fechar as portas do estabelecimento. “Amanhecemos sem água, não tem uma gota. A vizinha tem poço e joga a mangueira pelo quintal pra gente. Me revezo junto com meu filho para encher os baldes. É muito difícil trabalhar sem água porque a higiene não é completa, mas é o jeito”, destaca Ducineia.
Segundo a Cosanpa, a situação é resultado de um serviço de melhoria que vem sendo realizado no Setor do Cordeiro de Farias desde a última semana. Ontem, das 10h às 19h, o fornecimento de água foi interrompido para dar continuidade ao serviço de substituição do conjunto de motor-bomba submerso do poço número quatro.
Ele passará a atender a nova Estação de Tratamento de Água. A companhia destaca que após essa última interrupção o sistema de abastecimento irá ser normalizado. (Diário do Pará)
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