Perto de completar quatro anos de idade, uma criança indígena da etnia Arauweté está internada na Santa Casa de Misericórdia desde a quarta-feira passada, vinda do município de Altamira, onde fica a aldeia indígena onde vive com os pais dela. A criança apresentava sinais de maus-tratos e desnutrição grave.
Segundo a diretora-chefe da Casa do Índio de Belém, Doris Elenice Oliveira Souza, a criança vem sofrendo maus-tratos há bastante tempo, talvez pelo fato de ser portadora de um distúrbio de crescimento que a mantém com idade óssea muito inferior à da idade real dela. “Ela saiu da aldeia ano passado e veio para cá se tratar. Depois que teve uma melhora voltou pra lá, mas foi queimada e sofreu maus-tratos, por isso voltou a ser internada. Os pais não querem ficar com ela, que está sendo acompanhada por representantes da Funasa e da Funai”, contou.
Quando ficou em Belém no ano passado, os pais não quiseram acompanhá-la. A criança voltou para a tribo com costumes brancos, não conseguia falar o idioma deles, só falava português e queria comer alimentos que não tinham lá. Outra fonte revelou ao DIÁRIO que em 7 de fevereiro a pequena índia foi agredida pelos pais em Altamira.
Ainda segundo a Santa Casa, a criança foi atendida pela equipe médica do Centro de Recuperação Nutricional do hospital e que seu quadro de saúde é estável. Ela aceita bem a alimentação, se distrai brincando na brinquedoteca da Santa Casa e já fez os exames clínicos necessários para comprovar seu estado de saúde, mas a equipe ainda não concluiu o diagnóstico.
A tutela da criança está sendo analisada pelo juiz de Altamira e já existe um pedido de adoção da criança indígena. O Ministério Público acompanha o caso e verifica abrir inquérito policial para confirmar as denúncias. A reportagem procurou a Funai de Altamira para obter mais informações, mas não foi atendida. (Diário do Pará)
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