Basta percorrer alguns metros da rodovia Arthur Bernardes, em Belém, para observar flagrantes de infrações de trânsito e situações que colocam em risco a vida de condutores e pedestres. Caminhões estacionam em local inadequado, congestionando o fluxo do trânsito, carros utilizam a ciclofaixa e a população precisa correr para não ser atingida pelos veículos.
“É muito difícil atravessar aqui. A gente leva até 20 minutos para conseguir. Antes tinha lombada, mas agora é caminhão, carro, moto, todos passando em alta velocidade. Até um vizinho meu foi atropelado e faleceu”, afirma a doméstica Nilda Silva. Após encaminharem diversos abaixo assinados às autoridades, populares conseguiram que a Câmara Municipal de Belém realizasse uma sessão especial, ontem, para debater o tema. Com poucos vereadores, assumiram as cadeiras do plenário dezenas de líderes comunitários e moradores dos bairros próximos à rodovia.
“Queremos cobrar do poder público mais políticas que possam combater essas mazelas, porque não é apenas o trânsito que apresenta problemas. Recebemos muitas denúncias de exploração sexual na área, envolvendo, inclusive, menores de idade”, afirmou Antonio Vinagre (PTB), responsável pela sessão.
Narrando as dificuldades enfrentadas no dia a dia, o morador Francisco Souza Castro enfatizou também outras carências. “O tráfico de drogas está cada vez mais forte e, com ele, a exploração sexual no turismo, os assaltos e acidentes. Existem várias empresas, mas elas não empregam a comunidade por baixa qualificação”.
Para José Godofredo, promotor de Justiça, os problemas não estão restritos à Arthur Bernardes e demonstram a necessidade do poder público investir mais no social. “Além de cobrar providências, também devemos instruir a população a não se apropriar de forma indevida do espaço público e exigir mais responsabilidade das empresas do local. Quanto à exploração sexual infantil, levarei o tema ao Ministério Público do Estado para acionarmos os órgãos competentes e realizar uma ação de combate ao crime, que para nós dos direitos humanos é hediondo”.
MUDANÇAS
“Fizemos um relatório da rodovia e detectamos vários problemas de sinalização, falta de acostamento, ciclofaixa irregular e pontos de ônibus inadequados”, afirmou Elias Jardim, diretor de trânsito da Companhia de Trânsito de Belém (CTBel). Segundo ele, a via foi sinalizada pelo projeto Ação Metrópole e não houve participação da CTBel nesse processo.
“Já entramos em contato com a equipe do projeto para fazer mudanças urgentes, como a instalação de um radar para evitar o excesso de velocidade. Enquanto ele não for adquirido, pois precisa passar por licitação, instalaremos um semáforo ou, em último caso, uma lombada”.
A preferência em não instalar lombadas está no fato de que o próprio Código de Trânsito Brasileiro proíbe a construção. “Antes a via tinha 57 lombadas e agora deixamos só quatro, já para atender pedidos da população. Nosso foco está agora em combater a imprudência dos condutores”. (Diário do Pará)
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