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Marambaia pode ficar sem ônibus

Os motoristas dos ônibus da empresa Belém Rio, que fazem as linhas Sacramenta Nazaré, Médici e Satélite UFPA paralisaram suas atividades ontem à tarde. Eles estão revoltados contra o que consideram abusos cometidos pelos donos da empresa. Pelo menos 34 ôn

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Os motoristas dos ônibus da empresa Belém Rio, que fazem as linhas Sacramenta Nazaré, Médici e Satélite UFPA paralisaram suas atividades ontem à tarde. Eles estão revoltados contra o que consideram abusos cometidos pelos donos da empresa. Pelo menos 34 ônibus permaneciam parados ontem à noite no final das duas linhas, no conjunto Médici, no bairro da Marambaia.

A manifestação começou por volta da 14h, quando os 64 motoristas que atuam a partir do turno da tarde pararam de trabalhar. Segundo o diretor do Sindicato dos Rodoviários de Belém, Nelson Nascimento da Silva Júnior, a paralisação iria se estender até a noite e deve continuar hoje, a partir das 3h.

No entanto, outra informação circulou ontem, de uma reunião entre trabalhadores e empresários marcada para as 11h de hoje, na sede da Belém Rio, para tentar resolver o impasse. Caso cheguem a um acordo, os rodoviários podem desistir de uma outra paralisação, segundo o presidente do sindicato, Altair Brandão.

Muitos motoristas ainda estavam concentrados no final da linha, ontem à noite. O estopim da revolta teria sido a tentativa da empresa de obrigá-los a trabalhar até 16 horas por dia para descontar os feriados da Semana Santa. Segundo eles, os donos da empresa não respeitam os feriados e querem obrigar todos a trabalhar para repôr as folgas previstas em lei.

A empresa também estaria obrigando os motoristas a pagar pelas peças que quebram durante as viagens e até por riscos na lataria nos ônibus. Eles seriam obrigados a assinar um vale no valor da peça para ser descontado do salário. Os que se recusam a assinar não recebem o contracheque e acabam sendo demitidos.

Segundo o diretor do sindicato, a empresa não paga horas extras, não aceita atestados médicos e nem reconhece o direito à licença maternidade. Nelson Júnior disse ainda que os funcionários são vítimas de assédio moral, a exemplo do que teria acontecido na tarde de ontem, quando um dos proprietários da empresa teria tentado “coagir os motoristas a trabalhar”.

Eles reclamam ainda das péssimas condições no final da linha, no conjunto Médici, onde não existem banheiros e bancos e nem sequer copos descartáveis. Para se abrigar da chuva, eles são obrigados a usar os bares e comércios próximos, porque o local oferecido pela empresa é pequeno.

Nelson Júnior disse que os proprietários “não estão cumprindo o que assinaram”, referindo-se ao acordo coletivo da categoria. “Eles dizem que vão pagar e não pagam, assinam o acordo, mas não cumprem”, criticou.

Segundo o sindicalista, o movimento tem o objetivo de chamar a atenção do Ministério Público do Estado e da Superintendência Regional do Trabalho e Emprego/PA para as condições que os trabalhadores da empresa enfrentam. “Eles estão sendo escravizados”, denunciou. A assessoria jurídica do sindicato já está preparando um documento que será enviado para esses órgãos. “A gente quer resolver na Justiça porque ele promete mas não cumpre”, disse Nelson Júnior.

O DIÁRIO tentou contato com o gerente da empresa Belém Rio, de prenome Davi, por meio do telefone celular. Inicialmente a pessoa que atendeu confirmou que era Davi, mas quando o repórter se identificou, ele desconversou e negou que o telefone fosse dele. Em nova ligação para o mesmo número, a pessoa que atendeu afirmou que não era Davi e que o número estava errado.

A empresa Belém Rio atende sete bairros em Belém - entre os principais, a Sacramenta, Telégrafo, Médici, Ceasa, Curió, Marambaia e conjuntos habitacionais na rodovia Augusto Montenegro, como o Satélite. (Diário do Pará)

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