O conselho de professores da Escola Estadual de Ensino Fundamental e Médio Ulysses Guimarães se reuniu, na manhã de ontem, com representantes da Secretaria de Estado de Educação (Seduc), para discutir uma pauta que há meses tem gerado muita polêmica no setor educacional: insegurança.
No Ulysses Guimarães, professores e alunos já vivenciaram diversas situações de violência. Os casos de arrastões e furtos ao redor da instituição são frequentes. “Tem aluno que chega cedo e tem que ficar do lado de fora esperando a abertura do primeiro portão para adentrar a escola. Enquanto isso, ele fica vulnerável do lado de fora”, destacou o representante do Grêmio Estudantil da Escola, Gabriel Cunha.
Diante desse cenário, o principal objetivo do encontro era a busca por soluções que gerassem efeito em curto prazo. “Nossa situação é preocupante, não é reflexo do que aconteceu no Rio de Janeiro, é reflexo do que aconteceu conosco. Queremos o mínimo de segurança”, pontua o professor de geografia Romano Santana, que há 13 anos trabalha na escola.
Levando em consideração a urgência por ações de efeito imediato, o conselho junto à secretaria optou por medidas de segurança mais emergenciais, com ênfase no reforço ao acesso à escola.
A primeira medida foi a liberação da abertura dos portões de entrada. A diretora do Ulysses Guimarães, Érica Gonçalves, garantiu que, apesar de a instituição estar apenas com um funcionário de apoio em cada turno, a entrada dos estudantes será liberada com antecedência. “Vamos abrir mais cedo, meia hora antes”. O conselho e a direção da escola também ficaram responsáveis por disponibilizar carteirinhas estudantis sem custo para identificação dos 2.600 alunos.
VISITANTES
Em relação aos visitantes, ficou acordado que visitas e pedidos de documentos deverão ser agendados com a secretaria, que deixará o nome da pessoa na lista da portaria para liberar a entrada. O estacionamento será apenas para funcionários, com intuito de evitar a entrada de pessoas que possam apresentar perigo. Uma cancela no portão de entrada dos veículos será instalada e os alunos terão a passarela principal como entrada única, não podendo mais entrar pelo estacionamento que em breve será isolado.
O major Marcos Paulo Bastos, comandante da Companhia Independente de Polícia Escolar (Cipoe), disponibilizou os seus contatos e os das viaturas que patrulham a região para que, no caso de alguma urgência, os funcionários da escola tenham maior facilidade na busca por socorro.
O secretário adjunto de Logística Escolar da Seduc, José Croelhas, se comprometeu em intervir e solicitar mais funcionários de apoio para ficarem fixos nos portões da escola. “Essa é uma situação que perpassa todas as escolas. Mas nenhuma contratação vai antecipar a dos concursados. Essa situação específica será conversada para reforçar a urgência de medidas que precisam ser tomadas”.
Após a definição das metas, o clima era de esperança e a expectativa por dias melhores era grande. “O grêmio vem lutando desde o ano passado para ter essas reivindicações atendidas, em breve estarei me encontrando com os alunos para comunicar sobre as decisões”, disse o representante do Grêmio. “Internamente, a escola não é violenta, a violência vem de fora. Eu acredito que haverá uma melhora. As cobranças foram feitas mais uma vez e estamos otimistas. São medidas pequenas, mas que podem ajudar bastante na questão da segurança. Mas, se as coisas não acontecerem de fato, estamos dispostos a tomar medidas radicais”, ressaltou Romano. (Diário do Pará)
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