O Aeroporto Internacional de Belém se encontra em “situação preocupante”, segundo a nota técnica “Aeroportos no Brasil: investimentos recentes, perspectivas e preocupações”, divulgada ontem (14) pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). O estudo aborda a situação dos principais aeroportos brasileiros e os investimentos para a expansão dos serviços aeroportuários no país.
Segundo a nota, o terminal em Belém é o 16º do Brasil que opera dentro do limite de sua capacidade, com 95,22% de ocupação. A nota técnica mostra que o plano de investimento da Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero) de R$ 1,4 bilhão ao ano (de 2011 a 2014) representa mais que o triplo da média anual investida entre 2003 e 2010. O investimento destina-se a treze aeroportos brasileiros, visando o atendimento da demanda crescente e a realização da Copa do Mundo, em 2014.
O aeroporto de Belém não foi incluído na lista de investimentos da Infraero, uma vez que a capital paraense não vai sediar a Copa. O estudo mostra que dez dos treze aeroportos que estão recebendo investimentos podem não ser completamente finalizados para a Copa de 2014.
Os aeroportos foram separados em três grupos: situação adequada (apresentam taxa de ocupação abaixo de 80%); situação preocupante (apresentam taxa de ocupação acima de 80%, mas abaixo de 100%); e situação crítica (apresentam taxa de ocupação acima de 100%).
Segundo a nota técnica, comparando os dados de 2009 e 2010, percebe-se que nenhum aeroporto dos 20 analisados melhorou de situação nesse período. “Pelo contrário, reduziu-se o número de aeroportos nas situações adequada (de quatro para três) e preocupante (de cinco para três), com acentuação daqueles que se encontram em situação crítica (de 11 para 14). De forma ainda mais preocupante, a taxa de ocupação dos aeroportos piorou nos três grupos analisados”.
Para os aeroportos em situação adequada, a taxa média de ocupação passou de 64,6% para 71,3%. Em relação ao grupo em situação preocupante - na qual se enquadra o aeroporto de Belém desde 2009 - a taxa média de ocupação passou de 89,5% para 94,4%. E a taxa média de ocupação dos aeroportos em situação crítica passou de 164,3% para 187,2%.
CRESCIMENTO
A nota técnica conclui que “o setor de transporte aéreo brasileiro vem crescendo vigorosamente”. “Isso pode ser constatado pelo aumento no número de viagens e de passageiros nos aeroportos e pelo número de aeronaves cadastradas na Agência Nacional da Aviação Civil (Anac).
Apesar dos dados apontados no estudo, a grande movimentação de passageiros ainda não tem afetado a maioria dos usuários do aeroporto da capital paraense. O paulista Fernando Frois vem três vezes ao mês a Belém e nunca enfrentou problemas relacionados à capacidade do aeroporto. “Eu nunca enfrentei problemas no aeroporto de Belém, sequer enfrentei filas. Onde às vezes tem fila é no embarque, mas nunca tive problemas”, afirma.
A belenense Leda Monteiro também utiliza sempre os serviços do aeroporto mas, apesar de já ter ouvido reclamações, nunca passou por transtornos. “Aqui tem sido bastante tranquilo. Já enfrentei problemas nos aeroportos de São Paulo e de Cuiabá, mas aqui não”. O DIÁRIO entrou em contato com a assessoria de imprensa do aeroporto para conversar com o superintendente, porém o órgão preferiu não dar entrevistas. A assessoria ficou de encaminhar uma nota ao jornal, o que não ocorreu até o fechamento desta edição. (Diário do Pará)
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