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Rumo aos cem anos com alto déficit habitacional

As áreas de ocupação irregulares em Marabá já são 36: um dos piores quadros de déficit habitacional do Pará. Em dez anos a população da cidade duplicará e ultrapassará a marca de meio milhão de pessoas: o poder público está preparado para o desafio que in

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As áreas de ocupação irregulares em Marabá já são 36: um dos piores quadros de déficit habitacional do Pará. Em dez anos a população da cidade duplicará e ultrapassará a marca de meio milhão de pessoas: o poder público está preparado para o desafio que incha periferias e desorienta o setor imobiliário?

Perguntada sobre o preço de sua casa, Maria Lopes da Silva, de 67 anos, diz não ter noção do valor do imóvel. A residência fica em uma das maiores áreas de invasão de Marabá, a Independência, no núcleo Cidade Nova. Há mais de 20 anos no local, a sexagenária ainda tem medo que lhe tirem o que construiu “com muita dificuldade”. A maranhense apostou a vida no município do sudeste paraense ainda na década de 1950, período em que o ciclo da castanha despontava como grande atrativo populacional. Sem dinheiro para comprar lotes, invadiu a área privada.

Na atualidade, o ciclo mineral - com a instalação de um polo metal-mecânico em Marabá - é que tem atraído milhares de pessoas para a região, com a propaganda de emprego para todos. Uma explosão demográfica de proporções e resultados ainda desconhecidos.

Pesquisas apontam que em menos de dez anos a população do município deve chegar a quase meio milhão de pessoas, o dobro da atual. “É muita gente, para pouco planejamento urbano”, diz Miguel Gomes Filho, diretor da Superintendência de Desenvolvimento Urbano de Marabá (SDU), autarquia vinculada à Prefeitura, implantada há seis meses para pensar o desenvolvimento urbano e habitacional do município. Ele situa Maria Lopes num universo que representa 40% (cerca de 60 mil moradores) da área urbana de Marabá, que vive em ocupação irregular.

“Lidar com a explosão demográfica e todas as demandas que ela traz é o maior desafio aos gestores públicos na atualidade. Mas isso deveria ter sido feito antes, anos atrás, por todas as esferas, pública e privada”, dispara o diretor, já sentindo as cobranças e demandas crescentes.

O município iniciou a regularização da primeira de 36 áreas de ocupação, a do bairro São Miguel da Conquista. Com a intervenção da Justiça, a prefeitura conseguiu intermediar o acordo entre as famílias e o proprietário do terreno. A medida deve ser estendida às demais áreas, disputadas por inúmeros supostos donos.

>> Leia a matéria completa no site do Diário do Pará



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