A maré alta de ontem (19) deixou mais uma vez Belém em alerta. No final da manhã, algumas ruas alagaram e houve o transbordamento de canais. Segundo a tábua de marés da Marinha, as águas chegaram a um índice de 3,6 metros e hoje deve alcançar 3,7 metros. Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), as marés altas devem acontecer até quinta-feira.
No meio da manhã, a rua Bernal do Couto com a avenida Visconde (Doca) de Souza Franco estava alagada. Assim como a rua Jerônimo Pimentel também com a Doca. A dona de casa Marineiva Neves, 51 anos, sofre com essa inconstância das marés. “O dia em que a maré sobe e o canal da Doca transborda não posso sair de casa e ninguém pode entrar. Só depois que a maré desce que podemos fazer algo”.
Em outro ponto da cidade, na rua 15 de Novembro próximo à avenida Portugal, o “rio” que se formou na rua impedia que as pessoas atravessassem ou trabalhassem. Juraci Ribeiro, 77 anos, que trabalha nessa esquina, sentado em um caixote para fugir da água que subia a cada instante, contou que sempre sofre com as enchentes. “Temos que fazer um sacrifício para sobreviver. Preciso tirar meu sustento daqui, por isso não posso deixar de trabalhar. Fico aqui obrigado”.
A água estava tão alta, que com o fluxo de veículos pelo local, ondas se formavam invadindo ainda mais as lojas do centro comercial. “Tentamos fazer uma barreira para conter a água, mas ainda assim, pelas pequenas frestas, a água invade. O jeito é fechar a loja e esperar baixar a maré”, disse a vendedora Cláudia Soares.
LIXO
A “Pedra do Ver-o-Peso”, um dos pontos mais críticos quando a maré enche, revelou um problema que já vem sendo enfrentado há muitos anos na capital: o excesso de lixo que é jogado pela população nas ruas e inclusive na baía do Guajará, vem todo para o alto quando a água sobe.
Várias garrafas pets e sacos plásticos boiaram em torno dos barcos que ficam ancorados ali. “Com a alta da maré, os lixo da rua vem todo para o rio. Junta com a sujeira que já tem na água, vira isso, uma imundice”, lamentou o pescador Raimundo Costa. (Diário do Pará).
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