A Assembleia Legislativa do Pará (AL) não recorrerá, pelo menos por enquanto, da decisão judicial que determinou a quebra do sigilo bancário da casa.
A ordem é tentar uma aproximação com o Ministério Público (MPE), abrir as portas da AL para os promotores encarregados da investigação e evitar ainda mais desgastes à imagem do Legislativo, que está sob fogo cruzado desde fevereiro deste ano, quando vieram à tona as denúncias de um esquema de contratação de fantasmas e uso de atos secretos para engordar salários.
A nova estratégia começou a ser colocada em prática nesta segunda-feira (02) com uma visita do presidente da Assembleia, deputado Manoel Pioneiro (PSDB), ao prédio sede do MPE. Pioneiro estava acompanhado do procurador da AL, Paulo Danin, e do procurador do Estado, Caio Trindade. Pioneiro foi recebido pelo subprocurador Marco Antônio das Neves.
O procurador geral, Eduardo Barleta, preferiu não comparecer porque tem parentesco (é primo) com a chefe da controladoria da AL, Rosana Barleta, que está entre os investigados. Participaram também da conversa os promotores Domingos Sávio, Nelson Medrado e Firmino Matos, responsáveis pela apuração na área da improbidade. Ao grupo, Pioneiro voltou a reclamar da decisão do MPE de ir à Justiça pedir a quebra do sigilo bancário da AL.
Na última sexta-feira, durante entrevista coletiva, Pioneiro disse considerar que a decisão era “uma invasão de outras instituições” ao Legislativo. Ontem, ele alegou que as informações poderiam ter sido pedidas direto à presidência da casa. Disse estar disposto a repassar as informações que possam facilitar as investigações e prometeu indicar um dos procuradores da AL para acompanhar o caso e colaborar repassando os dados necessários.
Os promotores alegaram que a decisão de ir à Justiça fora motivada pela própria AL, que em ofício de 17 de agosto de 2009 recusou-se a passar os dados “sem a devida autorização judicial”.
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