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12 horas de agonia em Ananindeua e Marituba

“Acordei uma hora antes do normal. O café da manhã teve que ser rápido. Tinha que pegar o primeiro ônibus que passasse pela avenida José Malcher. Andei três quilômetros do Icuí-Guajará até a Cidade Nova VIII. Mas até agora, nada”. Esse foi o calvário vivi

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“Acordei uma hora antes do normal. O café da manhã teve que ser rápido. Tinha que pegar o primeiro ônibus que passasse pela avenida José Malcher. Andei três quilômetros do Icuí-Guajará até a Cidade Nova VIII. Mas até agora, nada”. Esse foi o calvário vivido pelo auxiliar técnico Geovane Viana, 23 anos. Assim como ele, centenas de pessoas padeceram nas paradas de ônibus por causa da greve dos rodoviários de Ananindeua e
Marituba.

Desde as primeiras horas da manhã, os usuários esperavam que algum ônibus passasse. Em vão. Os primeiros ônibus que circulam em Ananindeua e faziam linha para Belém só começaram a sair da garagem a partir das 7h. Aquartelados em frente às garagens, os grevistas só permitiam a saída de dois veículos de cada linha, o que, segundo eles, representavam os 30% obrigatórios que deveria circular segundo a lei.

Mesmo assim, a reclamação da população era grande. “Levantei às 5h. Andei cerca de dois quilômetros de casa até aqui na parada. Achei que iria conseguir pegar o ônibus mais vazio indo para estações antes da minha casa. Mas que ônibus? Não vi passar nenhum até agora”, comentou o estudante Fábio Moraes, 23. Para ele, o fato de não rodar nem o mínimo dos ônibus exigidos por lei é uma falta de respeito. “Tudo bem que eles querem melhorias, mas não respeitar o nosso direito é demais. Isso é uma falta de respeito com o usuário”, afirmou, revoltado.

Para muitos, o jeito encontrado era usar o transporte alternativo e muitas vezes clandestino. E não faltou quem aproveitasse o sufoco para conseguir um dinheiro a mais. Alguns informaram que carros de passeio estavam fazendo lotação para levar pessoas de lugares onde não havia nenhum tipo de transporte. “De dentro do Aurá até aqui na BR-316, paguei R$1,50. Não fiquei nem 10 minutos dentro do carro particular. Mas não tinha outro jeito. Tive que vir e agora espero que meu patrão venha me buscar”, contou a doméstica Dalva da Costa, 47 anos.

Em Marituba a situação não era diferente. Nas primeiras horas da manhã, os ônibus que rodam passavam completamente lotados, com pessoas penduradas nas portas. Se era difícil entrar, imagine sair. Mas, pelo fato de o município ficar na margem da BR-316, os usuários tinham mais opções de ônibus e a confusão foi melhorando ao longo do dia. “Aqui nós podemos pegar qualquer um que venha de Mosqueiro, Benevides ou qualquer município que vá até São Brás e de lá pegamos um que ‘rode’ em Belém”, explicava a enfermeira Cristina Matos, 34 anos.

Outra saída para quem mora no centro de Marituba era pegar uma van. “Não dá para andar até a BR-316 para pegar um ônibus qualquer. O jeito é a van levar até lá. Mas, por outro lado, corremos o risco de andar em veículos velhos e sem nenhuma manutenção”, contou a professora Sônia Moreira, de 45 anos. E como esse era o meio de transporte do “dia”, o lucro foi certo para eles. O motorista de van Arnaldo Ferreira, que fazia a linha Ananindeua-Shopping Castanheira, disse, em meio ao corre-corre, que o faturamento já estava alto desde a primeira corrida do dia. Leia mais no Diário do Pará.

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