Com onze votos contra, a proposta de aumento do preço da passagem de ônibus de R$1,85 para R$2,21, apresentada pelo Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros de Belém (Setrans-Bel), foi barrada na tarde de ontem pelo Conselho Municipal de Transportes, do qual o sindicato também é membro. Porém, a possibilidade de reajuste na tarifa ainda existe. Ao final da reunião, a Companhia de Transportes (CTBel) apresentou uma proposta de aumento para R$2,3. O novo valor ainda será votado na semana que vem.
Segundo a superintendente da CTBel, Ellen Margareth, o estudo realizado pela companhia leva em consideração aspectos como a qualidade do transporte e os insumos, por isso apresenta uma proposta mais condizente com a realidade. “O estudo é técnico e vem baseado sobre insumos que também levam em consideração a inflação”, afirma.
Apesar de informar que o estudo prevê que a passagem custe R$2,3, ela afirma que a CTBel vai propor outro valor na reunião da semana que vem. “Nossa proposta na quarta-feira é de R$2. É nesse dia que vamos ter uma decisão da tarifa. Se a nossa proposta for aprovada, vai ser encaminhada imediatamente ao legislativo”.
Segundo o representante do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) no conselho, Roberto Sena, o voto contra o aumento da passagem foi motivado pelo pedido acima do índice de inflação. “O aumento pedido pelo Setrans-Bel significava 20%, sendo que a inflação para o período ficou em torno de 8%”. Segundo ele, a nova proposta apresentada pela CTBel está dentro das expectativas do Dieese. “A tarifa não poderia passar de R$2, que é quase o valor proposto pela CTBel. Se tiver que reajustar, deve ficar dentro dos parâmetros inflacionários”.
Já para o assessor técnico do Setrans-Bel e representante do sindicato no conselho, Délcio Farias, o novo reajuste proposto não cobre os custos das empresas de transporte. “Esse novo aumento proposto apenas alivia os custos, mas dificulta os investimentos na renovação da frota”, afirma. “Nós temos até 2014 para renovar toda a frota e entendemos que não dá pra cobrir os custos com a tarifa de R$2,3”.
Enquanto o Conselho se reunia dentro da CTBel, um grupo de estudantes secundaristas protestava na frente da Companhia. Com gritos de guerra que anunciavam que o aumento proposto era um assalto, eles tentavam participar da reunião.
ESTUDANTES
Segundo a representante do coletivo estudantil “Vamos à Luta”, Júlia Borges, os estudantes foram impedidos de participar da reunião, mesmo com o acordo feito com a prefeitura em audiência pública no dia 29 de abril. “Acordamos com a prefeitura que entrariam quatro representantes e que teríamos voz e agora disseram que a gente poderia entrar, mas sem se manifestar. Não concordamos”.
Dentre os questionamentos feitos pelos estudantes estavam a má qualidade do transporte público e o aumento que consideram abusivo. “Não tem condições de aumentar acima do índice de inflação”.
Mesmo com a nova proposta, de R$2, os estudantes continuaram não concordando com o reajuste. “Qualquer tipo de aumento não corresponde ao salário da população e à qualidade do serviço”.
Já a superintendente da CTBel, Ellen Margareth, acredita que a qualidade do transporte público da capital paraense melhorou. “Hoje já estamos chegando ao que pretendemos com relação à qualidade. Os ônibus que circulam em Belém, hoje, tem em média cinco anos”. (Diário do Pará)
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