A possibilidade da divisão do Pará com a criação dos estados de Tapajós e Carajás repercutiu nos meios da indústria e do comércio paraenses. Para os setores, a realização do plebiscito é louvável, porém precisa ser mais discutida na sociedade com a divulgação de um estudo que mostre a viabilidade dessa separação.
A discussão é polêmica. A Associação Comercial do Pará (ACP) se posiciona de forma contrária ao projeto separatista. “Sou contra, mas não de forma radical. Acho que nem é tempo de realizar o plebiscito. Antes, a população deveria ser mais informada. Ela nem entende direito do que se trata essa separação do Pará em três partes”, opinou Sérgio Bitar, presidente da ACP.
Para a entidade, o Estado do Tapajós, onde ficariam 27 municípios do oeste paraense, não conseguiria ter uma boa arrecadação. “O que a região oeste recolhe atualmente não cobre os custos que o governo do Estado tem com ela. Isso é apenas uma pequena prova da inviabilidade dessa divisão. Temos muito que discutir, principalmente os impactos econômicos, ambientais e sociais que todos os municípios terão. Acho que o discurso atual está muito mais na base do emocional do que do racional, além de atender os interesses de um grupo pequeno de pessoas”, disse Sérgio Bitar.
O assessor econômico da Federação das Indústrias do Pará (Fiepa), José do Egypto, questiona a quem realmente interessa a separação do Pará. “Para mim não está claro a quem de fato interessa que ocorra essa divisão do nosso Pará. Tem questões políticas disfarçadas e que não estão explícitas. Os olhos de muita gente cresceram para as nossas riquezas minerais, hídricas e florestais. Os verdadeiros interessados usam uma lupa gigante que só vê o lado econômico”.
Egypto também sente a necessidade de mais estudos sobre a viabilidade da criação de mais dois estados. “Agora que o Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) vai começar um estudo. Todos estão esquecendo, até mesmo o governo federal, que cada Estado custa aos cofres públicos cerca de R$ 900 milhões anuais. Imagina criar mais dois”, observou.
A realização dos plebiscitos para decidir sobre a criação dos dois estados foi aprovada na última quinta-feira (5) no plenário da Câmara dos Deputados. O Tribunal Regional Eleitoral do Pará deverá realizar o plebiscito. Caso seja decidido pela separação, o Pará ficará com 17% dos municípios, inclusive a ilha do Marajó; o Tapajós com 58%; e o Carajás, com 25%. “A melhor discussão seria sobre a situação da saúde, da educação, habitação e outros assuntos relevantes ao nosso Estado. Vamos acabar dividindo pobreza e no final ainda vamos ter que prestar contas com nossas futuras gerações que irão nos cobrar essa decisão de dividir o Pará, caso aconteça”, observou o representante da Fiepa. Leia mais no Diário do Pará.
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