Enquanto a Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa) diagnosticou em 2010 um total de 74 casos do Mal de Chagas no Pará, este ano sete já foram registrados até agora: um em Ananindeua, quatro em Belém, um em São Domingos do Capim e um em Abaetetuba.
“Esses são os casos que foram registrados, mas devem haver outros casos em que as pessoas não apresentam sintomas, mas possuem a doença. O diagnóstico não é dado porque algumas não apresentam sintomas, ou apresentam e não procuram atendimento ou até mesmo procuram atendimento e o diagnóstico não é dado pelo médico”, destaca a infectologista e vice-diretora do Hospital Universitário João de Barros Barreto, Helena Brígido.
De acordo com ela, é natural que se confunda a patologia, mas é importante pensar na doença de Chagas. “Tem que fazer um hemograma, um ‘eletro’, uma avaliação clínica e epidemiológica. Verificar se já houve caso na família e em uma semana pedir a sorologia da doença”, pontua.
Brígido confirma que no ano passado foram registrados 20 casos no Barros Barreto. O hospital só recebe pacientes da doença na fase crônica.
“Considero um número grande. Significa falha no sistema. Se está crônico é que porque passou pela fase intermediária e aguda e não deram o diagnóstico”, alerta. “Isso acontece porque geralmente os sintomas não aparecem ou são leves, como febre e dor de cabeça. Por conta disso, as pessoas não procuram ser consultadas. As glândulas também podem ficar inflamadas. O fígado e o baço aumentam e, em alguns casos, dá também arritmia cardíaca. Mesmo sem sintoma, o exame de sangue acusa”, acrescenta.
CASOS
Segundo a Secretaria Municipal de Saúde de Ananindeua (Sesau), o município registrou três casos notificados do Mal de Chagas desde janeiro de 2011, mas nenhum foi confirmado. Um paciente que está no Anita Gerosa foi notificado e aguarda confirmação.
Uma família de Outeiro foi diagnosticada com a doença essa semana: mãe e filha estão no Hospital Ordem Terceira e Adventista e o namorado da filha não está internado. Até ontem, a Sespa não confirmou se os casos já constavam no balanço oficial.
Açaí ainda continua merecendo atenção
A infectologista Helena Brígido acredita que certamente as pessoas estão adquirindo a doença através do açaí. “A vigilância sanitária tem que fiscalizar isso. É preciso ir aos locais onde essas pessoas estão tomando açaí”, pontua.
A Sespa informa que as ações de educação de manipulação de alimentos continuam.
Através da Secretaria de Estado de Agricultura (Sagri) e Emater, com apoio do Ministério Público do Estado, a normatização das boas práticas de manipulação de alimentos para os batedores de açaí estaria sendo finalizada, com intuito de evitar os riscos de contaminação. (Diário do Pará)
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