Para vencer o desafio da sustentabilidade na Amazônia, um dos principais focos de atuação da Embrapa Amazônia Oriental - unidade da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária sediada no Pará – é o desenvolvimento de pesquisas e tecnologias relacionadas a sistemas agroflorestais (SAFs), nos quais agricultura e floresta se encontram aliando a produção de alimentos à conservação dos recursos naturais.
Os SAFs associam cultivos agrícolas e/ou animais com espécies florestais, de forma sequencial ou simultânea. Os modelos são variados e se adaptam às necessidades dos produtores, como consórcio agroflorestal de mogno com pimenta-do-reino; florestas plantadas de paricá (de rápido crescimento, apropriada para produção de lâminas e compensados) em sistema silvipastoril; consórcio silvipastoril de eucalipto com pasto e sistemas agroflorestais em área de várzea.
A Embrapa Amazônia Oriental desenvolve estudos em sistemas agroflorestais desde a década de 1970, sendo pioneira no uso de sistemas silvipastoris na produção de bovinos e bubalinos. Os primeiros estudos envolviam pimenta-do-reino, guaraná, cacau, seringueira e castanha-do-Brasil.
Em anos mais recentes as fruteiras tropicais (maracujá, banana, açaí, cacau, cupuaçu, taperebá) foram introduzidas como componentes dos sistemas, a exemplo dos implantados em Igarapé-Açu e Marapanim, no nordeste do Estado, onde agricultores, por incentivo da Embrapa, diversificam o cultivo da mandioca para produção de farinha.
Como alternativa para agricultura familiar, a Embrapa desenvolve em Tomé-Açu um sistema de cultivo de dendê em SAFs tendo em vista a demanda crescente de palma de óleo para produção de biodiesel. O município tem tradição em SAFs. Há 40 anos, devido a problemas de doenças ocasionadas pelo monocultivo da pimenta-do-reino, agricultores nipo-brasileiros de Tomé-Açu adotaram sistemas agroflorestais para diversificar a produção. Estes e outros SAFs resultantes do conhecimento empírico dos agricultores também são alvo de estudos dos pesquisadores da Embrapa.
Em função da importância dos SAFs, a Embrapa Amazônia Oriental tem intensificado a realização de treinamentos para capacitação de técnicos e agricultores. “Uma rede de transferência de tecnologias agroflorestais na Amazônia (Retaf), sob a coordenação da instituição, deverá iniciar suas ações ainda em 2011”, estima o pesquisador Delman Gonçalves. Ele coordenou os cinco cursos internacionais para capacitar técnicos de países amazônicos (Brasil, Bolívia, Colômbia, Equador, Peru, Venezuela e Suriname) realizados no Pará de 2007 a 2010, numa parceria de cooperação entre Brasil e Japão. Os cursos foram considerados marcos na agrosilvicultura na Amazônia.
Na pecuária leiteira e de corte, os sistemas de integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF) dispensam a abertura de novas áreas de floresta para acomodar os pastos, recuperam pastagens degradadas e geram aumento do desfrute do rebanho e do conforto animal.
“Os benefícios econômicos, ambientais e sociais dos SAFs são inúmeros”, afirma o pesquisador Osvaldo Kato, citando exemplos: diversificação da produção agrícola e florestal na propriedade, recomposição da paisagem, reflorestamento, recuperação de áreas degradadas, aumento da capacidade produtiva do solo, segurança alimentar e aumento de renda para o produtor, conservação ambiental, biodiversidade da flora e fauna, redução do desmatamento, das queimadas e dos impactos nas mudanças climáticas globais.
O pesquisador Osvaldo Kato também coordena o VIII Congresso Brasileiro de Sistemas Agroflorestais (CBSAF), que acontecerá em Belém de 21 a 25 de novembro próximo e está com inscrições abertas (www.cbsaf.com.br). O evento, promovido pela Sociedade Brasileira de Sistemas Agroflorestais, conta com a parceria da Embrapa Amazônia Oriental, no Ano Internacional das Florestas. (Diário do Pará/ Ascom Embrapa)
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