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Médicos discutem hoje proposta do Governo

Entre discussões e ameaças de greve por parte dos médicos da Santa Casa de Misericórdia, Hospital Abelardo Santos e Hospital de Clínicas Gaspar Vianna e de suspensão das negociações por parte da Secretaria de Estado de Administração (Sead), a reunião de o

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Entre discussões e ameaças de greve por parte dos médicos da Santa Casa de Misericórdia, Hospital Abelardo Santos e Hospital de Clínicas Gaspar Vianna e de suspensão das negociações por parte da Secretaria de Estado de Administração (Sead), a reunião de ontem entre governo e Sindicato dos Médicos do Pará (Sindmepa) serviu para discutir a equiparação dos valores pagos pelos plantões nos hospitais públicos estaduais.

Na segunda-feira passada, os médicos realizaram assembleia, na sede do sindicato, quando ratificaram a paralisação das atividades hoje, por 24 horas. Segundo a categoria, no Abelardo Santos o valor do plantão é de R$ 1.000,00, sendo que nos demais os profissionais recebem apenas R$ 619,00.

Segundo a proposta do governo, os médicos que atuam em serviço de alta complexidade, hoje recebendo R$ 619,00 por plantão, passarão a receber R$ 1.000,00, correspondendo a um reajuste de 61,35%, e os que ganham R$ 800,00 receberão também R$ 1.000,00 - aumento de 25%.

Já os médicos que atuam em serviço de média complexidade passarão de R$ 619,00 para R$ 800,00, um reajuste de 29,08%. As demais categorias de nível superior e médio, com atuação em unidades de área fim de saúde, terão reajuste de 25% nos valores do plantão. “Assim estaríamos acabando com a disparidade numa mesma categoria, já que existiam médicos de alta complexidade que ganhavam R$ 619,00, ao invés de R$ 800,00, valor que é pago apenas aos médicos da Santa Casa”, esclareceu a secretária de Administração, Alice Viana.

ASSEMBLEIA

Segundo João Gouveia, diretor do Sindmepa, a proposta seria apresentada hoje, na Santa Casa, para os demais médicos analisarem. “Tiramos uma comissão na assembleia que é responsável por estudar a proposta e talvez deliberar contra a paralisação, porque o que foi acordado pela categoria é que aceitaríamos o valor do plantão fixado em R$ 1.000,00 líquido e não bruto, como o governo está nos oferecendo”.

Alice Viana informou que as devidas explicações sobre a limitação financeira para reajustar os plantões estão descritas na proposta. “Assumimos um governo deficitário e encontramos deturpações nos hospitais estaduais, onde alguns médicos ganham quatro vezes mais que os outros. Então vamos equiparar os valores do plantão utilizando o máximo da capacidade de pagamento da qual dispomos no momento, o que representará um acréscimo de R$ 2,5 milhões na folha de pagamento do Estado”.

Os outros profissionais de saúde que trabalham em regime de plantão ganharam 25% de reajuste. Com a paralisação de hoje, faltarão 800 médicos para atender a população nos três hospitais. Além da neonatologia, pediatria e obstetrícia, a paralisação também deve atingir os ambulatórios dos hospitais e serão suspensas as cirurgias eletivas, devendo ser atendidos somente os pacientes com alto risco.

Segundo a Sead, a negociação com o governo será interrompida com a ocorrência da paralisação. O Governo garantiu que as administrações dos três hospitais estão preparadas para manter os 30% dos serviços essenciais funcionando. A proposta contemplou ainda o reajuste de 25% no valor de sobreaviso e a implantação do Grupo de Trabalho de estruturação do Plano de Cargos, Carreiras e Remuneração, com acompanhamento do Sindmepa.

A secretária de Administração explicou que os valores dos plantões não têm reajuste desde abril de 2008. Se comparado com a inflação acumulada no período, medida pelo IBGE, que foi de 19,48%, o reajuste concedido pelo governo do Estado representa aumento real de 38,35% e 8,03% para os médicos e 4,62% para as demais categorias (Diário do Pará, com informações da Agência Pará).

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