Deve sair nos próximos dias a licença para a instalação da hidréletrica de Belo Monte, no Rio Xingu, no Pará. O governo prepara os ajustes finais do documento, considerado a última licença necessária para iniciar as obras de construção do maior e mais polêmico empreendimento do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).
Há duas semanas, a Casa Civil trabalha com o prazo de sexta-feira (20) para conceder a licença definitiva da usina. O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama), órgão responsável pela liberação do documento, tem participado de todas as reuniões.
Na semana passada, técnicos do Ibama realizaram a última vistoria no local de instalação das obras. Segundo o presidente do órgão, Curt Trennepohl, o instituto precisaria apenas aguardar o parecer dos técnicos e analisá-lo para liberar a licença definitiva.
Polêmica
A usina Belo Monte será a terceira maior hidrelétrica do mundo e a maior usina inteiramente brasileira. Ela se estenderá por um trecho de 100 km do Rio Xingu, com potência de gerar no pico de energia cerca de 11 mil MW. A energia firme, média, será de cerca de 4 mil MW. Do total, 70% da energia produzida será para o mercado cativo e distribuidoras; 10%, para produtor e 20%, para o mercado.
A possibilidade de construção de usinas hidrelétricas na bacia do Rio Xingu começou a ser analisada ainda na década de 1970. Desde aquela época, a construção de usinas na região enfrenta polêmicas. Movimentos sociais e lideranças indígenas da região são contrários à obra de Belo Monte, por considerarem que os impactos socioambientais do empreendimento não estão suficientemente dimensionados.
No início deste mês, em audiência pública na Comissão de Direitos Humanos do Senado, o procurador da República no Pará Bruno Soares Valente afirmou que o Ministério Público considera que a construção da usina de Belo Monte "está sendo conduzida de forma errada, com a prática de uma série de irregularidades".
Segundo o procurador, desde 2001 dez ações civis públicas contra o empreendimento foram ajuizadas. Entre os pontos polêmicos, estão a ausência de consultas públicas junto à população local e a falta de planejamento para infraestrutura urbana nos municípios próximos a Belo Monte. "Sem a estrutura adequada, coloca-se em risco esses locais", disse Valente, durante a audiência. As informações são do Congresso em Foco.
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