Os moradores da comunidade Central Park, no bairro do Paracuri III, que fica às margens da Arthur Bernardes, interditaram a rodovia, por toda a manhã de ontem. Com paus e pneus, cerca de 100 pessoas impediam que motoristas e transeuntes passassem pela via.
A principal reclamação é a falta de saneamento básico. “É um total descaso. Quando chove, até cobra entra na nossa casa. Daqui a pouco nossas casas vão ficar no fundo ou cheias de mato”, reclamou Valdemar Pantoja, líder comunitário. A equipe do DIÁRIO pôde constatar as condições precárias em que os manifestantes vivem. Muita lama, mato e ruas praticamente intrafegáveis dificultam a vida dos moradores.
A doméstica Sandra Ferreira, 51, que já mora no Paracuri há três anos, também tinha muitas reclamações sobre a coleta de lixo. Ela relatou que os moradores que vivem no final da rua têm que andar cerca de um quilômetro até a rodovia para depositar o lixo. “Andamos muito para descarregar o lixo. Isso quando o carro passa para recolher. Normalmente, o recolhimento nunca acontece”.
SEM RETORNO
Valdomiro conta que há um ano e meio uma comissão procurou a Secretaria Municipal de Saneamento (Sesan) para pedir providências, mas, segundo ele, até agora nenhum retorno foi obtido.
A rodovia também foi interditada em outro trecho, desta vez pelos moradores das comunidades de São Pedro e São Paulo, também do Paracuri III. A falta de saneamento básico e de água encanada eram as principais reivindicações. A doméstica Lucilene Morais, 35 anos, é mãe de sete filhos pequenos e reclamava que todos eles estavam com coceiras pelo corpo por causa da má qualidade da água que é utilizada por eles. “Quando tem água na torneira, ela é enferrujada. Normalmente, temos que pegar água do rio, que é turva e muito suja. Ou então temos que pagar por um balde de água”. Os moradores, quando não têm água, costumam pagar R$1 por balde de água do poço de uma casa vizinha.
A dona de casa Maria José, 30 anos, reclama que toda a tubulação foi feita na obra do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), mas que o Serviço Autônomo de Água e Esgoto de Belém (Saaeb) ainda não foi regularizar o serviço. “Por causa de uma irresponsabilidade, precisamos andar quilômetros carregando baldes de água para ter pelo menos como tomar banho”.
No final da manhã, a rodovia foi liberada por policiais militares, após a chegada de um representante da Agência Distrital de Icoaraci. A Sesan afirmou, em nota, que conversou com representantes da comunidade Central Park e que os pedidos de aterramento de vias, abertura de valas, capinação e limpeza serão encaminhados para os setores competentes da secretaria para que sejam adotadas as providências.
Já a Saaeb informou que aguarda a finalização da construção da ponte do Paracuri para concluir o trabalho de ampliação no sistema de abastecimento de água. Esta ponte está sendo construída pelo governo do Estado, através do projeto Ação Metrópole. (Diário do Pará)
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