No Campus Universitário do Marajó, da Universidade Federal do Pará (UFPA), o trabalho voltado para a inserção de estratégias de ensino-aprendizagem e práticas educativas para atender às necessidades dos surdos, na escola e na sociedade, vem se tornando prioridade desde 2006. Foi nesse ano que a aluna Thianny Brito defendeu seu Trabalho de Conclusão de Curso sobre “O ensino da língua portuguesa para surdos”, sob a orientação do professor Waldemar Cardoso.
A aluna analisou a situação de aproximadamente 30 surdos do município de Soure (hoje, eles já somam quase 50), os quais viviam sem o apoio escolar adequado e não possuíam momentos de interação. “Em Soure, a maioria dos surdos vive em casa, desempenhando tarefas domésticas, pois seus pais desacreditam na escola como veículo de conhecimento e de direito à cidadania para seus filhos”, conta a coordenadora do Campus de Soure, Maria Luizete Carliez.
O relato de Thianny Brito sensibilizou a Associação Marajoara de Apoio à Inclusão Social (AMIS Marajó), a qual iniciou uma rede de comunicação entre os surdos do município, e o Campus de Soure, o qual passou a buscar parcerias para engrandecer esse trabalho. Entre os parceiros convidados, estão o Institut des Jeunes Sourds de Paris (INJS) e o Instituto Nacional de Educação de Surdos (INES), cujas ações de colaboração com a UFPA iniciaram em 2007, durante evento que debateu a educação de pessoas surdas e cegas na sociedade local.
CAPACITAÇÃO
A principal colaboração do INJS veio com o professor do instituto, David Lucio, responsável pela capacitação em “Cued Speech”, um sistema voltado para a comunicação entre e com os surdos, que utiliza a observação dos movimentos das mãos e da face, unido a técnicas de leitura labial. O Instituto acolheu, também, professores e alunos do Campus de Soure para estágios. Já o INES enviou 12 profissionais ao município para capacitar mais de 150 educadores da rede pública de ensino da região.
Além disso, o Campus de Soure mantém o “Programa LIBRAS para todos”, coordenado pelas professoras Luizete Carliez e Ellen Formigosa, com o objetivo de minimizar o abismo entre os surdos e a escola ao oferecer capacitações em Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS) e palestras sobre metodologias aplicadas ao ensino do português como segunda língua. O Programa utiliza os Centros de Teleconferência e outras tecnologias disponíveis nos campi da UFPA, e realiza o acompanhamento sistemático das atividades propostas. Todos esses trabalhos culminaram na implantação da Licenciatura em LIBRAS e Língua Portuguesa na UFPA, a partir do Processo Seletivo 2011. Leia mais no Diário do Pará.
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