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Invasores voltam a levar o pânico à Santa Martha

A fazenda Santa Martha, localizada no município de Tailândia, foi destruída por mais de 40 homens armados que ocupavam vinte motocicletas, na madrugada de ontem. Na área, de propriedade da empresa Terranorte S/A, pertencente ao fazendeiro Dario Bernardes,

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A fazenda Santa Martha, localizada no município de Tailândia, foi destruída por mais de 40 homens armados que ocupavam vinte motocicletas, na madrugada de ontem. Na área, de propriedade da empresa Terranorte S/A, pertencente ao fazendeiro Dario Bernardes, os bandidos, que se declaram sem terra, destruíram e atearam fogo em 33 casas, duas escolas, numa igreja, no ambulatório que atendia aos empregados, em dois veículos que serviam de transporte para locomoção dos funcionários e das crianças para escola, além de colocar no chão a residência da sede da fazenda. O pânico foi geral entre os funcionários, que acordaram sob chuva de balas dos bandidos e muita gritaria. Muitos tiveram de correr para o mato em busca de proteção.

Não satisfeitos, ao final do festival de horrores, os bandidos sequestraram cinco funcionários e duas crianças menores de 16 anos que são filhos de funcionários da propriedade. Bernardes informou ao DIÁRIO que teve uma desagradável surpresa ao comparecer à delegacia de polícia de Tailândia para denunciar a violência: não havia nenhum delegado ou viatura, e o sistema para fazer o registro da ocorrência estava fora do ar. O mesmo problema o fazendeiro encontrou também na delegacia de Moju.

Sem saber o que fazer para garantir a segurança na Santa Martha, o fazendeiro tentava ontem um contato direto com o secretário de Segurança, Luís Fernandes, e com o delegado-geral, Nilton Ataíde, para pedir providências. “Minha família já me aconselhou a vender tudo e desistir do negócio, mas eu não vou largar o que construí com muito sacrifício”.

Bernardes disse que a fazenda é toda documentada e reconhecida pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário como produtiva e não pode ser desapropriada. “O título maior da propriedade passou cinco anos em tramitação no Senado Federal, na Câmara, até que tudo fosse resolvido”. Hoje, além da área dele, outras legalizadas e reconhecidas pelos órgãos fundiários são as terras da empresa Sococo e outras três propriedades.

O fazendeiro conta que nunca teve paz para tocar seus projetos. Ele diz ter investido mais de R$ 2 milhões, mas as invasões e a violência continuam, com ameaças de morte ao proprietário e aos funcionários da Terranorte. “O doutor Gersino (Gersino Filho, ouvidor agrário nacional) chegou a dizer para os invasores recentemente, durante reunião, que a fazenda jamais seria desapropriada pelo governo, porque era produtiva, tinha função social e não atendia aos critérios da reforma agrária”, relatou Bernardes.
No ano passado, depois de deixar as terras por determinação da Justiça, os invasores armaram uma emboscada para matar Bernardes. O fato ocorreu em dezembro e no episódio um empregado da fazenda foi morto a tiros. Os vidros do veículo do fazendeiro foram estilhaçados pelas balas dos bandidos, mas ele escapou da morte.

A Santa Martha é atacada por invasores desde maio de 2006 e já foi palco de três operações de reintegração de posse. Eles sempre retornam depois que a polícia deixa o local. A fazenda é berço de um projeto de manejo florestal autorizado pelo Ibama e certificado com o selo verde internacional, em área de 16 mil hectares. O projeto já chegou a ser considerada modelo para a Amazônia. (Diário do Pará)

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