Dias de chuva se tornaram sinônimo de prejuízos para muitos habitantes de Belém, especialmente os que vivem em áreas suscetíveis a alagamentos. Com o objetivo de alertar o poder público sobre locais, duração e intensidade destas inundações o Sistema de Proteção da Amazônia (Sipam) iniciou o Projeto para Prevenção de Inundação e Alagamento.
“A partir destes dados os governos municipais e estaduais poderão intervir com mais segurança nos pontos críticos e rever o sistema de drenagem, ainda precário em algumas bacias da cidade”, explicou Jamer Costa, pesquisador e um dos autores do estudo ao lado de Flávio Augusto Altieri. Por enquanto apenas o canal da Quintino Bocaiúva foi analisado, mas a expectativa é de expandir o monitoramento para as 33 bacias existentes na Região Metropolitana, que em dias de chuva forte formam 47 áreas de alagamento, segundo da Defesa Civil de Belém.
Segundo o pesquisador, alguns problemas agravam a situação de áreas já críticas. “A ocupação desordenada de moradores em espaços impróprios para moradia, o assoreamento dos canais, o acúmulo de lixo e a falta de manutenção fazem com que os alagamentos sejam constantes”. Uma chuva média, de até 32mm de intensidade e com duração de 90min, por exemplo, pode deixar o entorno do canal da Quintino embaixo d’água por até 5h, garante Jamer.
Com uma oficina de bicicletas na travessa 14 de Março, ao lado do canal da Caripunas, o comerciante José Carneiro mostra os estragos que os alagamentos já causaram na estrutura do local. Em alguns espaços a lama é permanente, assim como as marcas na parede.
“Se relampejar em Castanhal, já está tudo inundado por aqui. Não temos muito o que fazer para prevenir, além do que já foi feito. Mudamos de mercadinho para oficina porque as comidas se estragavam todas. Passamos a morar no andar de cima para não sermos atingidos, mas enquanto a prefeitura não fizer a macrodrenagem tudo vai continuar igual”, disse, ao olhar para o canal cheio de mato, resíduos sólidos e água parada. Leia mais no Diário do Pará.
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