Cerca de duas mil pessoas, segundo estimativas da Polícia Militar, acompanharam, na manhã de ontem, pelas ruas de Marabá, o cortejo fúnebre dos ambientalistas José Cláudio Ribeiro da Silva e Maria do Espírito Santo, que na terça-feira foram assassinados a tiros por pistoleiros em uma estrada na zona rural do município de Nova Ipixuna, sudeste paraense. O casal liderava 300 extrativistas do assentamento Praialta/Piranheira e há pelo menos três anos vinha recebendo ameaças de morte de madeireiros.
Além de familiares e amigos do casal, o sepultamento foi acompanhado por líderes sindicais e militantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e da Federação dos Trabalhadores na Agricultura (Fetagri). Eles exibiam faixas e cartazes pedindo a punição dos culpados e o fim da impunidade de assassinos de trabalhadores rurais.
Logo ao amanhecer, o MST fechou a ponte sobre o rio Itacaiúnas, provocando um grande congestionamento. A ponte, com 2 km de extensão, só foi liberada depois da chegada de um contingente da Polícia Militar, que negociou com os sem terra a liberação de uma das pistas.
REUNIÃO
O ouvidor agrário nacional, Gercino Filho, esteve reunido no assentamento Praialta/Piranheira com moradores, ouvindo relatos sobre as pressões feitas pelos madeireiros para derrubada de árvores em áreas da reserva extrativista. Gersino também decidiu acompanhar as investigações da polícia. Nesta sexta-feira, ele preside reunião com delegados empenhados em elucidar o crime e dirigentes de órgãos fundiários e ambientais do Pará.
A perícia criminal já garantiu peças importantes de um quebra-cabeças que pode apontar os responsáveis pelas mortes. Os ambientalistas foram atingidos principalmente na lateral esquerda dos corpos, o que indica a direção dos disparos, mas não de que arma partiu, já que ela não foi encontrada. O órgão trabalha com um prazo legal de 10 dias para a conclusão das perícias, o que pode ser prorrogado caso seja necessário. Leia mais no Diário do Pará.
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