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Havia rixas no Praialta-Piranheira

O assédio financeiro de madeireiros de Nova Ipixuna sobre os agricultores do assentamento Praialta-Piranheira para enfraquecer a luta do casal José Cláudio Silva e Maria do Espírito Santo - mortos a tiros na terça-feira por pistoleiros - contra a derr

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O assédio financeiro de madeireiros de Nova Ipixuna sobre os agricultores do assentamento Praialta-Piranheira para enfraquecer a luta do casal José Cláudio Silva e Maria do Espírito Santo - mortos a tiros na terça-feira por pistoleiros - contra a derrubada da floresta, conseguiu seu resultado. Nos últimos meses, a dupla de ambientalistas já não conseguia mais manter unidos os agricultores, que alegavam que a venda da madeira ajudaria na sobrevivência de suas famílias. O preço era vil, cerca de R$ 30 o metro cúbico, mas para eles valia a pena arriscar

Um sindicalista da região, que prefere não se identificar por temer represálias, conta que o plano dos madeireiros era afastar definitivamente o casal da região para que pudessem investir melhor na derrubada da floresta. As promessas eram de que o preço da madeira subiria de cotação assim que José Cláudio e Maria deixassem o local. Ao saber que vários moradores estavam abertamente apoiando os madeireiros, José Cláudio chegou a ter áspera discussão com eles, acusando-os de traírem a causa ambientalista.

“Se eu e a Maria sairmos daqui, vocês também vão ser enxotados e vão sair como entraram, com uma mão na frente e outra atrás”, teria dito José Cláudio. O agricultor conhecido por Pelado não aceitava a liderança do casal e dizia abertamente na comunidade que não gostava do ambientalista.

Em agosto de 2009, José Cláudio e o irmão Claudemir foram armados tomar satisfações com Pelado sobre a posse de um lote de terra no assentamento. Durante a discussão, Claudemir atirou e matou Pelado, que também estava armado. A polícia de Nova Ipixuna, embora soubesse do crime, nada fez para apurar o caso. Por pressão de amigos e familiares de Pelado, o inquérito policial só foi aberto mais de um ano depois, em dezembro de 2010.

APURAÇÃO

Ouvido pelo DIÁRIO, o secretário de Segurança Pública do Pará, Luiz Fernandes, confirmou a existência do inquérito contra Claudemir, declarando que a investigação sobre a morte de José Cláudio e Maria é feita sobre os madeireiros com os quais o casal tinha divergências, embora não despreze nenhuma outra hipótese para o crime. “Estamos investigando tudo com o máximo de cautela para que não haja nenhum erro na hora de prender e indiciar os autores do duplo homicídio”.

A apuração dos crimes é coordenada pelo delegado-geral-adjunto, Rilmar Firmino, e se concentra atualmente no levantamento de informações preliminares que começaram a ser coletadas logo após os homicídios pelas equipes policiais que foram até Nova Ipixuna. Assentados e familiares das vítimas foram ouvidos, em conversas informais com a polícia, e prestaram algumas informações sobre a rotina do casal de extrativistas.

O laudo com as conclusões dos peritos do Instituto Médico Legal só será divulgado em 20 dias. Os peritos fizeram testes de balística e voltaram ao lugar do crime, no ramal que leva até o assentamento onde o casal morreu. (Diário do Pará)

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