Desde 14 de fevereiro, nas 548 unidades da Farmácia Popular espalhadas pelo país, medicamentos do programa Hiperdia (hipertensão e diabetes) estão disponíveis de forma gratuita. Para adquiri-los, basta apenas apresentar documento de identidade com foto e CPF do paciente, além da receita médica com prazo válido.
“Aqui e nas outras unidades tivemos um aumento de atendimento de 50% com a gratuidade”, informa o farmacêutico Anderson Geber Martins, da Farmácia Popular do Jurunas. Num primeiro atendimento na farmácia, o usuário tem direito a tratamento por um ano. Depois, a cada ida ele recebe medicamento para 30 dias de tratamento.
A Secretaria Municipal de Saúde (Sesma) é a mantenedora do programa a nível local, que é fruto de um convênio entre o Ministério da Saúde e o Instituto Fiocruz. A entidade fica responsável pelo repasse dos medicamentos e de verba para manutenção das unidades da Farmácia Popular. “Começamos em 2007 com essa unidade do Jurunas e depois abrimos mais duas unidades. Hoje totalizamos oito, também em Icoaraci, Mosqueiro, Guamá, Pedreira, Terra Firme, Bengui e Cabanagem”, resumiu Paulo Sérgio Guzzo Junior, coordenador municipal do programa Farmácia Popular do Brasil.
Hoje, a unidade da Pedreira é a que tem mais procura e a média mensal em todas é de 12,7 mil receitas atendidas. Além disso, com a gratuidade do programa Hiperdia, o crescimento dos atendimentos foi de 122%. O volume de medicamentos retirados subiu de 13.645 para 30.388.
Em todo o país, são 660 mil hipertensos e 300 mil diabéticos. Desse grupo faz parte Erivaldo de Sousa Quaresma, 49 anos, hipertenso. “Minha pressão tá 18, tenho que usar sempre o Captopril que aqui pego de graça. Também estou com o colesterol alto, então comprei 30 comprimidos do menocol por R$7,60, que numa farmácia convencional gastaria R$ 60”, justifica. A farmácia inclusive oferece, de graça, a losartana potássica, medicamento muito utilizado por pessoas como Erivaldo.
Para ele, a Farmácia Popular é uma das melhores coisas surgidas nos últimos tempos. “Se não fosse isso, não poderia adquirir os remédios. Estou desempregado. Eles não têm aqui o medicamento para triglicerídeos, vou ter que ver em outro lugar, mas a moça me informou que com essa mesma receita posso pegar medicamentos durante seis meses”.
SEM INSULINA
Apesar de oferecer 113 medicamentos que considera a Relação Nacional de Medicamentos (Rename), o programa ainda não oferece insulina, que é fundamental para o tratamento da diabetes.
“As unidades ainda não dispõem de geladeira para armazenar insulina. No entanto, temos uma grande variedade de medicamentos que são bastante receitados, como o antiansiolítico Fluoxetina [comercialmente chamado de Prozac], que aqui custa R$ 0,60 e nas farmácias tradicionais custa algo em torno de R$ 30 a 40”, enfatizou Paulo Guzzo. (Diário do Pará)
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