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Falta medicamento na unidade da Sespa

“Toda noite, quando eu a coloco para dormir, bate aquela angústia por saber que ela não vai crescer naquele dia. Não tenho a felicidade de vê-la crescendo alguns centímetros sem esse remédio, que ela não toma há quase dois meses”, desabafou Dieli Fonseca,

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“Toda noite, quando eu a coloco para dormir, bate aquela angústia por saber que ela não vai crescer naquele dia. Não tenho a felicidade de vê-la crescendo alguns centímetros sem esse remédio, que ela não toma há quase dois meses”, desabafou Dieli Fonseca, mãe de Tarsila, 3 anos. A menina tem deficiência na produção do hormônio do crescimento.

Chamado de somatotrófico (r-Hgh), o hormônio necessário para que Tarsila se desenvolva a torna dependente de uma medicação chamada Hormotrop (cujo princípio é a Somatotropina Humana), que está em falta na Unidade de Referência Materno Infantil e Adolescente (URE-Mia), administrada pela Secretaria Estadual de Saúde Pública (Sespa). “Ela toma o Hormotrop de 12 UI e na unidade só tem o de 14 UI, que é para a faixa etária de 10 anos, causa muita dor se for injetado nela”, contou Dieli.

Ela identificou o problema de crescimento quando a criança tinha 1 ano e meio de idade. “Quando me perguntavam a idade dela, muitos ficavam surpresos, achavam que ela tinha meses de vida. Perguntei a alguns pediatras e eles me disseram que era uma ‘fase’. Pesquisei e fui até um endocrinologista, que após fazer exames constatou que a quantidade de hormônio do crescimento produzida pelo organismo dela era pouca para que crescesse. De um ano para cá, quando eu iniciei o tratamento com medicamento no Barros Barreto e depois na Ure-mia, é que ela passou a crescer bem. Hoje o médico diz que ela está quase na média para a idade dela”, explica a mãe de Tarsila.

Tarsila toma a injeção de Hormotrop diariamente. “O ideal é que ela tomasse durante muitos anos, mas o SUS só fornece o remédio até ela completar 14 anos. Eu compro um pacote com dez seringas por R$ 20, mas só consigo o remédio na Sespa, pois para comprar uma unidade na farmácia particular eu teria que desembolsar mais de R$ 700. Mesmo se tivesse esse dinheiro, o trâmite é muito burocrático, tenho que apresentar vários documentos para poder validar o processo de compra”, esclareceu.

Servidora pública, Dieli tem se ocupado constantemente em ligar para o departamento que faz a compra dos medicamentos há uma semana: “Eles dizem que está em falta porque a troca de governo fez com que se abrisse um novo processo de licitação para habilitar uma empresa que compre o medicamento do laboratório fabricante, mas que já haviam enviado o empenho para a empresa selecionada. Me deram o nome da empresa, liguei para lá e eles me disseram que a Sespa não enviou o empenho. O médico me disse que se a Tarsila ficar muito tempo sem tomar o remédio, além de não crescer, pode ter acúmulo de gordura e outros problemas”.

Em nota, a Sespa informou que o Departamento de Assistência Farmacêutica fez a compra emergencial do medicamento Somatropina e que a entrega pelo fornecedor está prevista para hoje, dia 31, mas só deverá estar disponível na Ure-Mia no dia seguinte. (Diário do Pará)

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