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Crianças e adolescentes retornam ao crime

Dentre as crianças e adolescentes que cometem atos infracionais no Pará, 61% são reincidentes, 60% evadiram da escola e 70% já tiveram envolvimento com drogas, sendo que as mais utilizadas (por 90% deles) são a maconha e o crack. Construído pelo Progr

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Dentre as crianças e adolescentes que cometem atos infracionais no Pará, 61% são reincidentes, 60% evadiram da escola e 70% já tiveram envolvimento com drogas, sendo que as mais utilizadas (por 90% deles) são a maconha e o crack. Construído pelo Programa de Promoção e Defesa dos Direitos de Crianças e Adolescentes em Instituições Assistenciais e Judiciais do Estado do Pará (Pró-DCA), o diagnóstico foi divulgado ontem durante o I Seminário Estadual “Adolescentes – direitos em risco: um olhar sobre o atendimento socioeducativo no Pará”.

Um dos pesquisadores responsáveis pelo trabalho e coordenador do Pró-DCA, Max Costa, esclareceu que a maioria dos jovens que cumprem medidas socioeducativas cometem crimes contra o patrimônio, em geral por necessidade de consumo. “Temos 350 jovens cumprindo medida, seja em internação sentenciada, provisória ou semiaberto, a maioria tendo praticado assalto”.

Palestrante convidado, o advogado Renato Roseno, especialista em direitos da infância e juventude e ex-assessor da Associação Nacional de Centros de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente (Anced), aponta diversas variáveis para explicar por que o jovem entra no mundo do crime cada vez mais cedo: “Ele é invisibilizado, excluído por ser pobre e por viver na periferia, onde não tem acesso a cinema, esporte, nem mobilidade social. A captura para o crime lhe permite uma forma de viver e de se sentir incluído pelo consumo”.

Para ele, falta a sociedade como um todo intervir na cadeia produtora do conflito. “O suspeito padrão sempre é o jovem pobre e negro, então esse adolescente só passa a ser ouvido, a ser visível, quando cria o medo”, frisou Roseno.

Aldalice Otterloo, diretora do Instituto Universidade Popular (Unipop), instituição que coordenou o evento, diz que a proposta foi discutir as medidas socioeducativas e o desafio das políticas públicas voltadas para os adolescentes com movimentos sociais e órgãos do Estado e do Município. “Trouxemos Funpapa, Funcap, Cedeca e a Promotoria dos Direitos da Infância e da Juventude do MPE para somar números sobre o tratamento socioeducativo dado aos jovens em vulnerabilidade social, assim como convidamos Pastoral do Menor e OAB, que inclusive estão montando um plano de estratégias conosco sobre o tema”. (Diário do Pará)

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