O Ministério Público Estadual (MP) realizou ontem audiência para dar início à análise dos papéis apreendidos no último final de semana na casa de José Carlos Rodrigues, dono da Croc Tapioca, uma das empresas que podem ter sido beneficiadas pelo esquema de fraudes em licitações na Assembleia Legislativa do Pará (AL).
O dono da empresa era casado com a ex-servidora da Assembleia, Daura Hage, que fazia parte da comissão de licitação da casa. O Ministério Público estima que, entre os anos de 2005 e 2006, cinco empresas ligadas a Daura Hage tenham faturado cerca de R$ 8 milhões na venda de produtos e realização de serviços na Assembleia Legislativa.
Rodrigues foi chamado para acompanhar a abertura do material apreendido na empresa dele. A ideia dos promotores que comandam as investigações era aproveitar a presença de Rodrigues no MP para ouvi-lo em depoimento, mas o empresário disse que recorreria ao direto de permanecer calado. O promotor Arnaldo Azevedo disse que, diante disso, Rodrigues não deve mais ser chamado novamente para depor.
DEPOIMENTOS
Um dos depoimentos mais esperados foi marcado para a próxima segunda-feira, quando será ouvido o ex-presidente da Assembleia Legislativa, o ex-deputado estadual Domingos Juvenil. A expectativa é de que, em duas semanas, o Ministério Público apresente as primeiras denúncias à Justiça.
Não está descartada, contudo, a possibilidade desse prazo ser adiado. “Depende do desenrolar da análise dos documentos apreendidos”, explica Arnaldo Azevedo, informando que os papéis apreendidos na semana passada trazem informações importantes para as investigações. O promotor não quis adiantar, contudo, quais são esses dados.
BUSCAS
Foram recolhidos documentos na casa de José Carlos, em Mosqueiro. Os promotores foram também à casa de Josimar Gomes, casado com Sada Hage, irmã de Daura; a uma casa no conjunto Médici I, que seria sede das empresas Real Metais, cujos proprietários são José Carlos e Josimar; e a JW Comércio e Serviços Ltda, de sociedade de Josimar com a filha Willy Tatiane, sobrinha de Daura, mas o local é apenas a residência do casal. Lá,os promotores recolheram cheques, documentos ligados à AL e computadores. (Diário do Pará)
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