"Nunca descasei ninguém. Pelo contrário, já fiz muitos casamentos durarem". Há mais de 53 anos como prostituta, Lourdes Barreto se orgulha da profissão e afirma que em muitas vezes ajudou seus clientes. Fundadora e atual coordenadora do Grupo de Mulheres Prostitutas do Pará (Gempac), Loudes comemorou o Dia Internacional das Prostitutas - celebrado hoje (02) - também ajudando outras prostitutas com um trabalho de conscientização sobre HIV/Aids e outras doenças sexualmente transmissíveis.
Várias casas de prostituição foram visitadas nesta quinta-feira (2) pela equipe do Gempac, que distribuiu preservativo e brindes. "Sabemos que muitas 'meninas' não usam a camisinha. Nosso trabalho é de alertar", explica Lourdes.
A cada dois anos, o Dia das Prostitutas é comemorado com um evento nacional realizado em uma cidade/sede escolhida por voto. No ano passado, o encontro foi realizado em Porto Alegre e levou uma delegação de 48 mulheres. A maior de todo o Brasil. Por este motivo, Belém foi a cidade escolhida para o evento em 2012.
Nos dias 23 a 25 de agosto deste ano, o Gempac realizará mais um encontro com palestras e oficinas. "Traremos uma pessoa do Departamento Nacional de Saúde para conscientizar essas 'meninas' ainda mais", disse.
O trabalho realizado pelo grupo de Belém alcançou reconhecimento nacional, tanto que já recebeu propostas para levar o projeto para diversos locais do Brasil. Segundo Lourdes, ela já recebeu convite para desenvolver o trabalho social na Usina Hidrelétrica de Jirau, em Rondônia, onde a prostituição é muito presente. "Nessas barragens a informação é muito escassa, e iremos levar nosso trabalho assistencialista", informou.
Loudes Barreto tem 68 anos e nunca teve vergonha de dizer sua profissão. Nem para seus quatro filhos e 10 netos que, segundo ela, sempre souberam de onde vinha a renda da família. "Desde quando eles eram crianças sabiam qual era a fonte, de onde saía o dinheiro. Hoje, tenho médicos e muitos universitários na família" revela.
A boa relação entre eles anulou o sentimento de vergonha que possivelmente poderiam sentir. "Tenho um filho que é policial e me leva para o quartel para dar palestra sobre prevenção de doenças".
A ativista, que se considera uma formadora de opinião, diz que a conversa sempre está presente, tanto na família quanto no Gempac, e que fez da profissão "um grande movimento social."
Ela afirma que a profissão é como outra qualquer mesmo com as dificuldades: "Não fiz nada que alterasse minha conduta. Já cheguei a usar drogas, mas vi que não era pra mim".
Mesmo como todo o trabalho de conscientização realizado no Gempac, Lourdes nunca deixou a profissão. "Eu continuo dizendo que sou prostituta. Em minhas viagens sempre encontro homens que querem o companheirismo, a conversa, tudo o que eles não têm em sua rotina".
(Brunno Gustavo/DOL)
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