“São tantos valores diferentes que a gente não sabe mais de nada. O único jeito é andar sempre com dinheiro a mais”. A reclamação da estudante Daniele Carvalho ilustra a angústia de milhares de usuários do transporte urbano em Belém. Após semanas de tarifas diferenciadas na Região Metropolitana, a população tenta agora usufruir da decisão judicial que garante a cobrança de R$ 1,85 nos coletivos. Ontem pela manhã, entretanto, algumas empresas ainda não haviam se adequado à nova norma.
“Passei o vale digital e foi descontado R$ 2. Perguntei pro cobrador e ele disse que ainda não tinham ajeitado as máquinas. Achei injusto, mas preferi nem começar a briga, até porque tenho certeza que rápido vão colocar o valor mais alto”, criticou o autônomo Amauri Lacerda.
Nos coletivos, o informe afixado já era de R$1,85 e, segundo motoristas, a ordem estava sendo cumprida para quem pagasse em dinheiro e com meia passagem. Algumas empresas, contudo, como a Belém Rio, foram alvo de reclamações por cobrar a tarifa mais alta.
“Já tinha visto reajuste indevido, mas confundir a população para que ninguém perceba os responsáveis pelo aumento é demais”, criticou o professor Reinaldo Lins.
ALTERNATIVO
Para alguns condutores que fazem transporte alternativo na cidade, contudo, a notícia da redução da tarifa não foi comemorada, porque representa menor arrecadação. “Agora vamos ter que baixar o preço também pra puxar os passageiros, senão eles vão todos de ônibus”, admite Carlos Nascimento, que trabalha numa Kombi como cobrador informal.
Algumas vans decidiram fazer promoções e conquistar o usuário indeciso. A doméstica Luanna Xavier foi uma delas. “Preferi pagar R$ 1,75 em dinheiro do que perder R$ 2 com o vale digital, mesmo achando esses carros mais perigosos”.
CTBEL
Segundo a assessoria da Companhia de Transportes do Município de Belém (CTBel) a orientação repassada às empresas é de que a tarifa cobrada seja de R$ 1,85, independente da forma de pagamento. O Sindicato das Empresas de Transportes de Passageiros de Belém (Setransbel) também informou ter orientado as empresas e que, se forem constatadas irregularidades, cabe a cada uma delas responder. As denúncias devem ser feitas pelo telefone (91) 8733-2552. (Diário do Pará)
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