As marcas de sangue ainda estão visíveis no asfalto, na rua da Cerâmica, em Marituba. São resquícios de um crime ocorrido há algumas horas, que resultou no assassinato de duas pessoas. Em um comércio na esquina, esse é o assunto das conversas dos moradores. “Só ouvi o barulho dos tiros, era umas duas horas da manhã”, comenta um senhor. “Acho que é a quarta ou quinta morte aqui nessa rua”, completa um rapaz.
Os assassinatos ocorreram na madrugada de ontem, mas os casos já não chocam tanto os moradores. “Aqui a violência é exagerada, fora do normal. As pessoas presenciam e ouvem falar de crimes. O policiamento até existe, mas não tem como diminuir (os casos de mortes). A gente acostuma a conviver com a violência, tem que se autoproteger”, afirma o açougueiro Paulo. O nome é fictício, assim como os de outros moradores que seguem nesta reportagem. As pessoas têm medo.
Mas a onda de violência não se restringe a Marituba. Está presente nos mais diversos bairros da cidade. Neste final de semana, alcançou um número significativo: foram 17 assassinatos em 48 horas, sendo oito deles na Grande Belém e nove no interior do Estado. Na manhã de ontem, mais dois assassinatos foram registrados no bairro da Cremação.
No conjunto Heliolândia, no bairro do Distrito Industrial, Dilma estende roupas, aparentemente tranquila. Mas, quando o assunto é violência, ela exibe suas
preocupações. “Tenho uma filha de dezessete anos e quando ela sai para festas eu fico muito preocupada, com receio. Aqui tem muitas mortes”, conta.
A casa da família já foi até invadida por ladrões. “Entraram aqui em casa, levaram botijão e até o leite. Já ouvi mexerem no telhado de madrugada também”, relembra.
No bairro da Jaderlândia, na invasão da Asdecelpa, as casas estão quase todas com as janelas fechadas. O comerciante Denílson diz que mesmo com medidas de proteção, os moradores não estão livres de serem vítimas de assaltos e outros crimes. “A violência está em todo canto, mas aqui é demais. A maioria dos crimes é homicídio. Acho que eles passam o ano pesquisando quem vai morrer porque quando começa...”
VIOLÊNCIA
Na delegacia da Jaderlândia, a fila para os registros de boletim de ocorrência é grande durante a semana. Josias Batista, chefe de operações, afirma que são registrados, em média, 30 boletins diários. “Os assaltos são constantes. Houve uma época em que os homicídios eram todo final de semana, mas agora parou mais”, diz.
Adriano Boscôli, investigador da Seccional de Ananindeua, aponta os homicídios entre os principais crimes cometidos na área. “Os homicídios acontecem bastante e cerca de 90% deles estão relacionados ao tráfico de drogas”, revela. (Diário do Pará)
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