Cada vez mais o trânsito está caótico. Não só pela grande quantidade de carros, mas pelo crescimento visível do número de motocicletas. No Pará, existem 60 mil motos registradas no Departamento de Trânsito Estadual (Detran). Mas quem guia esses veículos parece esquecer das leis estabelecidas pelo Código de Trânsito Brasileiro (CTB). Muitos fazem das avenidas verdadeiras pistas de corrida e acumulam irregularidades.
Ziguezagueando entre os carros, ou correndo pelos corredores formados, os motoqueiros acabam esquecendo que, como os outros veículos, devem escolher uma pista para transitar. De acordo com o diretor de trânsito da Companhia de Transportes de Belém (CTBel), Elias Jardim, essa é uma das infrações mais cometidas pelos motociclistas, mas que quase nunca são registradas pelos agentes. “Pelo tamanho dos veículos, eles podem ir a qualquer lugar e, por isso, acabam desrespeitando a lei”.
No ano de 2007, um Projeto de Lei que proibia o tráfego de motocicletas entre os carros foi encaminhada para o Senado. A lei, que previa a proibição com apenas uma exceção, onde as motos poderiam circular entre os carros com uma velocidade de até 30 km/h e apenas quando o fluxo estivesse parado, foi vetada.
Por causa desse tráfego desenfreado dos motociclistas, no Pará eles já são os campeões no número de acidentes. Nos anos de 2009 e 2010, foram registrados 2.469 acidentes envolvendo motos, 1.445 deles com feridos e 43 com mortes. Esses números elevados se explicam pelo crescimento de 25% de motos na capital e 85% no interior.
IMPRUDÊNCIAS
Segundo o coordenador da unidade central de planejamento do Detran, Carlos Valente, as imprudências são as principais causas dos acidentes. Para ele, as ultrapassagens indevidas, o excesso de velocidade, unidos à falta de equipamentos de segurança, formam uma verdadeira combinação para os acidentes, que podem ser fatais. “Os condutores particulares são os que mais fazem infrações por terem o pensamento de que os percursos que fazem são pequenos e por isso não precisam do equipamento de segurança”, comentou Valente.
As periferias de Belém são os locais preferidos pelos motoqueiros para realizarem as suas infrações. No bairro do Guamá, a equipe do DIÁRIO pôde constatar várias atitudes irregulares de motociclistas e passageiros nos poucos minutos em que permaneceu no local. A grande maioria era pela falta do uso do capacete. Paulo Sérgio Barata, de 46 anos, que vinha de carona na moto de Ricardo Moraes, quando foi abordado pela reportagem por estar sem o capacete, tentou argumentar. “Estava pegando apenas uma carona e por isso não estava fazendo o uso do capacete”. As desculpas são sempre as mesmas, o esquecimento ou a proximidade aos locais são as mais usadas.
No bairro do Jurunas, as infrações eram ainda maiores. Motos com a placa encoberta ou até mesmo sem placa são muito comuns. Um mototaxista que preferiu não se identificar afirmou que cobre a placa com um cartão para não perder a freguesia. “A maioria dos clientes não quer usar o capacete. Ou então alega que o destino é muito próximo ao ponto e por isso não precisa. Para não pegar multa e nem perder a corrida, tenho que levar assim mesmo”. O mototaxista ainda comentou que as mulheres são as que mais se recusam a usar o capacete.
Para coibir esses atos ilícitos, os órgãos responsáveis pelo trânsito costumam fazer blitze em pontos estratégicos na tentativa de diminuir a quantidade de infrações. Segundo a CTBel, um terço das motos que circula em Belém não é licenciada e a maioria das pessoas proprietárias de motos não tem habilitação específica. (Diário do Pará)
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