O presidente da Assembleia Legislativa do Pará, Manoel Pioneiro (PSDB), entregou ontem ao promotor Nelson Medrado mais um lote de documentos referentes à folha de pessoal da casa. O deputado foi pessoalmente levar mais duas caixas com contracheques, cópias da folha e outros documentos. Desta vez, o material é referente ao ano de 2006. Hoje, o Banco do Estado do Pará (Banpará), responsável pelo pagamento dos servidores da AL, deve fazer a entrega dos dados do sigilo bancário da AL também do ano de 2006. Um acordo com o Ministério Público Estadual permitiu que a instituição faça a entrega semanal dos documentos. Os promotores já receberam material referente ao período de 2006 a 2010. Toda sexta-feira receberão os extratos anuais até chegar 1994, a partir de quando foram solicitados os dados bancários.
Dois técnicos fazem a análise dos dados no MPE. O material conferido até agora revelou uma diferença de R$ 8 milhões entre a folha de pessoal e os valores efetivamente pagos pelo Banpará.
Na outra frente de investigação que apura as fraudes em licitações, a meta é ouvir nos próximos dias dois servidores que faziam parte da comissão de licitação da casa, a mesma que tinha Daura Hage como integrante. Entre 2005 e 2006, empresas ligadas a Daura fecharam contratos de cerca de R$ 8 milhões com a AL. Entre as empresas, está a Croc Tapioca, que pertence a José Carlos Rodrigues de Souza, ex-marido da agora ex-servidora da AL.
O MPE já apurou problemas em doze processos licitatórios. Sete empresários que teriam concorrido e perdido contratos para as empresas ligadas a Daura negaram, em depoimento, ter participado da disputa pelos contratos com a AL. Garantiram que as assinaturas nas propostas supostamente apresentadas por eles foram falsificadas. Nelson Medrado informou que pretende fazer exame grafotécnico para confirmar essas informações.
NOVA OITIVA DE SÉRGIO DUBOC
O promotor Nelson Medrado espera ouvir também, na semana que vem, o ex-diretor financeiro da Assembleia Legislativa Sérgio Duboc. A intenção era ouvi-lo ontem, mas Duboc não foi encontrado para receber a intimação.
“Já ouvimos empresários (que teriam perdido as licitações), queremos ouvir os servidores da comissão e o ex-diretor financeiro para fechar o trabalho”, explica Medrado. (Diário do Pará)
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