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Elevadores de ônibus só são enfeites

O maior problema enfrentado por Deidiane Magalhães para se locomover não é a ausência de ônibus adaptados para o transporte de passageiros com dificuldades de locomoção, apesar de, na opinião dela, a quantidade ainda ser insuficiente para atender a demand

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O maior problema enfrentado por Deidiane Magalhães para se locomover não é a ausência de ônibus adaptados para o transporte de passageiros com dificuldades de locomoção, apesar de, na opinião dela, a quantidade ainda ser insuficiente para atender a demanda. Mas sim, o despreparo dos motoristas para lidar com o equipamento.

Ela, que tem uma rotina de saída intensa durante a semana, guarda a experiência de muitas situações constrangedoras pelas quais já passou ao tentar embarcar no transporte público coletivo de Belém. “Os elevadores nunca funcionam e, quando funcionam, os motoristas preferem levar (o passageiro cadeirante) no braço porque dizem que é mais rápido”.

Apesar de afirmar que muitos rodoviários se mostram prestativos a ajudar, Deidiane se sente constrangida quando não pode utilizar o equipamento que foi instalado para facilitar a sua locomoção. “O que vejo é muita boa vontade da maioria deles (motoristas), mas a maioria não sabe mexer no elevador”, conta. “Eu enfrento problema em cerca de 80% das vezes que preciso pegar ônibus e isso prejudica a minha independência”.

De acordo com a Companhia de Transportes do Município de Belém (Ctbel), de um universo de 1.350 ônibus que circulam na capital paraense, apenas 422 são adaptados com elevadores para deficientes físicos, o que está em desacordo com a Lei de Acessibilidade (Nº 5296/2004) que diz que 100% da frota deve ser adaptada. “Hoje, nós temos 35% da frota de Belém com acessibilidade, porém, pelo projeto de lei federal, até 2014 todos devem estar adaptados”, explica a superintendente da Ctbel, Ellen Margareth.

Segundo ela, os cursos de qualificação, que instrui os motoristas para o uso do equipamento, são de responsabilidade das próprias empresas. “O treinamento técnico exclusivo para a acessibilidade é feito na própria empresa no momento em que o ônibus adaptado é adquirido. Todas as empresas que têm ônibus acessíveis em Belém já fizeram o curso”.

Apesar disso, o presidente da Associação Paraense das Pessoas com Deficiência (APPD), Amaurir Silva, afirma que as reclamações sobre o mau uso dos elevadores são constantes. “São poucos os ônibus que utilizam a plataforma adequadamente”, afirma. “Elas não funcionam ou por falta de manutenção ou porque os motoristas não sabem usar”.

Segundo ele, 14,15% da população belenense possui algum tipo de deficiência, sendo que, 5% desse universo são portadores de deficiências físicas. Por isso, ele defende que a totalidade dos ônibus possua elevadores e que os mesmos possam ser utilizados. “Falta respeito do Poder Público para com as pessoas portadoras de deficiências. O deficiente, em Belém, acaba sendo conduzido para o interior dos ônibus carregados, sendo que têm equipamentos adequados”.

Dentre as desculpas enfrentadas por Deidiane quando tem que pegar ônibus estão, inclusive, a ausência das chaves que acionam o equipamento. “Eles dizem que o elevador amassou e por isso não está funcionando ou afirmam que eles (motoristas) não têm a chave. Dizem que a chave fica na garagem”, lembra. (Diário do Pará)

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