Nas primeiras horas da manhã de ontem, 37 famílias ficaram desabrigadas no bairro do Tapanã, onde foi feita a reintegração de posse da área que era conhecida como Comunidade Nova Vida e já estava ocupada há quase dois anos. A ação foi feita com a ajuda de policiais militares e civil, tropa de choque e comando de operações especiais (COE).
De acordo com algumas pessoas que acompanhavam a movimentação, o terreno foi ocupado porque a comunidade no entorno já não aguentava mais o abandono do local. “Antes, esse espaço era usado como esconderijo da bandidagem. O bandido roubava lá na frente e vinha se esconder aqui. Já tivemos até casos de estupros. E agora, que já estamos mais tranquilos com esses moradores aí, vem essa ordem”, comentou a vizinha do terreno, Erondina Silva. Os moradores já haviam sido notificados do despejo no dia 10 de abril e que eles deveriam sair até o dia 5 de maio.
O representante da comunidade, Miguel Santos, explicou que realmente eles já sabiam da ação, mas que o advogado da comunidade havia recorrido e a medida havia sido suspensa. “Ele (advogado) deu entrada no cartório de Icoaraci e nos afirmou que a medida havia sido suspensa e que não seriamos despejados daqui”, afirmou.
Joedson Ferreira, também morador do local, comenta que, desde que a área foi ocupada, o que se diz proprietário do terreno de pré-nome José Maria nunca apareceu.
PERDIDOS
Ainda segundo ele, o verdadeiro dono é conhecido como Alex e a única explicação que foi dada é que foi feita uma procuração para o nome do solicitante da reintegração de posse, Adjalma Alves. “Existe uma confusão sobre o verdadeiro dono. Enquanto isso, ficamos aqui no meio desse tiroteio, sem saber o que fazer”, contou Ferreira.
E, no meio de toda essa confusão, as famílias ficavam perdidas sem saber o que fazer. A dona de casa Ana Cláudia da Silva, de 34 anos, chorava muito por não saber qual seria seu futuro.
Ela, que mora apenas com o marido, tenta reconstruir a vida. “O que me resta é juntar minhas coisas e tentar arranjar onde morar. De início vamos ficar na casa do meu sogro de favor”. A técnica de enfermagem Marisa Lima, 36 anos, contou que há duas semanas ela ficou sabendo da ordem de despejo. “Eu não tenho para onde ir. E agora, o que eu faço? Só sei que daqui não vou sair”.
O tenente coronel da COE, Roberto Campos, comentou que a retirada estava sendo pacífica e que as tropas ficariam à disposição até as 18h, que foi o horário estipulado para a reintegração de posse. (Diário do Pará)
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