Antes das 8h desta quinta-feira (16), uma fila já se formava ao lado do prédio do Grupo RBA, na travessa Enéas Pinheiro, em Belém. Funcionários e populares aguardavam para ajudar a salvar vidas.
O Hemocentro do Pará (Hemopa) estava com duas unidades móveis para receber doações de sangue e cadastrar doadores de medula óssea. A ação comemora o 10º ano de parceria com a RBA, que tem como tema “Acenda a fogueira de um coração. Doe sangue”.
A importância desse ato tão simples podia ser visto na vendedora Arcilena Santiago, de 38 anos, que faz transfusão de sangue todo mês no hemocentro.
“Eu sou paciente do Hemopa por ter anemia falciforme e, sempre que posso, estou presente nas campanhas para agradecer aos doadores. Muitos não têm noção do quanto são importantes. Doar sangue é precioso, com uma bolsa eles salvam quatro vidas”, diz.
Antes de doar, as pessoas passam por uma avaliação clínica: verificação da pressão arterial, hemoglobina e respondem a um questionário sobra sua saúde. Se forem liberadas, seguem para a doação, que dura no máximo 10 minutos. No final, recebem um lanche balanceado.
“É a primeira vez que vou doar. Uma prima está precisando de 10 bolsas e quero ajudar. Depois, pretendo continuar doando para ajudar outras pessoas”, disse Diana Santa, de 32 anos.
Dentre os doadores, poucos jovens e mulheres. Os homens mais velhos ainda são os mais presentes. E mesmo aqueles que não podem mais doar, ainda fazem trabalho voluntário. É o caso do senhor Osvaldo Bellarmino, de 72 anos, que é o doador mais antigo do Hemopa e que já fez o maior número de doações.
“Segundo o hemocentro, foram 176 doações em 43 anos. Agora, como já passei da idade, ajudo como posso. Hoje estou entregando as senhas”, disse o voluntário, que faz aniversário no dia 25 de novembro, Dia do Doador de Sangue.
Uma novidade é a mudança na idade dos doadores, que vai passar de 18 para 16, e de 60 para 69 anos. Entretanto essa modificação ainda não está valendo, pois o sistema do Hemopa precisa ser alterado.
Para quem ainda não doou, é só comparecer no local até às 15h. A expectativa é de 300 candidatos até o final da arrecadação. Mas, caso você tenha feito tatuagem ou colocado piercing, terá que aguardar um ano, por medida de segurança.
A campanha “Acenda a fogueira de um coração. Doe sangue” segue no Hemopa (travessa Padre Eutíquio, 2109), até o dia 22 de junho, de segunda a sexta-feira, das 7h30 às 18h, e aos sábados, até 12h30.
Coleta
Somente ano passado, o hemocentro coletou 91.290 bolsas de sangue e atendeu 142.875 transfusões da rede hospitalar. Hoje, a população doadora voluntária de sangue no Brasil é de 1.8%. No Pará é de 1.7%. O que ainda é baixo, levando-se em consideração que a Organização Mundial de Saúde (OMS) determina que 3% a 5% da população pratique esse ato solidário.
Entre os fatores para o crescimento esperado da demanda por sangue no país estão o aumento de 58,3% dos transplantes (de 2003 a 2009), o crescimento da expectativa de vida da população, o uso cada vez maior de sangue como suporte terapêutico em doenças hematológicas.
No Pará, o Hemopa vencia ainda a realidade da expansão da hemorrede. No período de 2007 a 2010, por exemplo, foram implantadas mais 14 AT´s (Agências Transfusionais), elevando naturalmente o número de transfusões para 12% ano passado.
Para ser um doador é necessário:
- Ter, no mínimo, 18 anos e, no máximo, 60
- Pesar, no mínimo, 65 kg
- Estar bem alimentado
- Ter dormido no mínimo seis horas
- Estar bem de saúde
- Portar um documento de identificação original (RG, Carteira de Trabalho, Carteira de Motorista, Certificado de Reservista ou Carteira de Classe)
(Natália Viggiano – DOL)
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