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Morte de ambientalista completa sete anos

Faz sete anos que ninguém fala mais nesse crime. A não ser, é claro, a família da vítima. O pistoleiro e os mandantes estão livres, leves e soltos. O processo não anda. O Ministério Público e o Judiciário simplesmente não têm o que dizer sobre este caso.

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Faz sete anos que ninguém fala mais nesse crime. A não ser, é claro, a família da vítima. O pistoleiro e os mandantes estão livres, leves e soltos. O processo não anda. O Ministério Público e o Judiciário simplesmente não têm o que dizer sobre este caso. No dia 3 de julho de 2004, por volta das 10h30, dois homens saltam de uma motocicleta e cumprem um enredo traçado meses antes por homens poderosos do oeste do Pará, acusados de grilagem de terras, tráfico de drogas, crimes contra pessoas e contra a floresta amazônica.

Não havia a menor chance de defesa para o ambientalista, pequeno produtor rural e militante da Pastoral da Juventude da Comissão Pastoral da Terra (CPT) Adilson Prestes, 33 anos, o alvo dos pistoleiros. Chamado pelo jornal “O Globo” de o “novo Chico Mendes da Amazônia”, Prestes foi morto com seis tiros à queima-roupa na frente de sua casa.

Um terceiro homem, ligado ao esquema da execução, observa alguns metros adiante os dois motoqueiros sumirem rapidamente pelas ruas de terra batida da cidade de Novo Progresso. Preço da morte: R$ 70 mil. Apenas R$ 10 mil teriam sido pagos.

Prestes era um homem marcado para morrer e sabia disso. Não recuou um palmo. Pelo contrário: esteve por três vezes em Belém, entregando dossiês às autoridades da Secretaria de Segurança Pública, do Ministério Público e do Poder Judiciário. Deu nomes, endereços, telefones e CPF dos envolvidos. Em sua lista, além de fazendeiros e madeireiros, havia políticos e policiais militares graduados de Santarém, Itaituba e Moraes de Almeida, assim como um delegado e investigadores da Polícia Civil.

Em qualquer país sério, as denúncias feitas pelo corajoso Prestes seriam investigadas a fundo. Fosse para confirmá-las e tomar as providências cabíveis para proteger o interesse público e as pessoas ameaçadas da fúria dos predadores da floresta, ou para declará-las improcedentes e enquadrar o denunciante por falsa comunicação de crime. Nada foi feito até agora. Com muita má vontade, alguns policiais limitam-se a dizer que Prestes ‘falava mal de todo mundo’, como se isso justificasse ter sido abatido a tiros. >> Leia mais no Diário do Pará

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