Um remédio tradicionalmente utilizado no tratamento do diabetes pode ser o novo aliado para a prevenção do câncer de mama. Foi o que indicou um estudo apresentado durante o encontro anual da Sociedade Americana de Oncologia Clínica, realizado recentemente em Chicago e que contou com mais de 30 mil especialistas de câncer do mundo inteiro. A pesquisa, conduzida pelo professor Rowan Chlebowski, da Escola de Medicina da Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA), ainda não traz dados conclusivos, mas apresenta indicativos que podem chegar a resultados animadores em estudos futuros.
O estudo de Chlebowski analisou mulheres diabéticas no período pós-menopausa (a partir de 45 anos de idade). Ao final da observação, o cientista percebeu que as mulheres que se tratavam com metformina, uma droga usada há muitas décadas para o tratamento do diabetes, tinham uma incidência menor de câncer de mama em relação às que não tomavam o remédio. A diferença no surgimento de casos de câncer ficou em torno de 38% entre os dois grupos. Esta pode ser uma evidência de que a metformina tem potencial para ser usada também como um medicamento quimiopreventivo.
No entanto, antes que os médicos comecem a receitar este remédio para pacientes em idade de maior risco para câncer, é preciso entender que o estudo ainda precisa de um aprofundamento maior. “Ele não é conclusivo, mas um estudo epidemiológico observacional preliminar. É uma hipótese que precisará de validação em pesquisas controladas prospectivas sobre a relação entre metformina e a redução do risco de câncer de mama”, analisa o oncologista clínico do HSM Diagnóstico, Williams Barra, que participou da conferência em Chicago. “Como a metformina é um medicamento antigo que já tem a patente quebrada, não creio que os maiores laboratórios tenham interesse em pesquisá-lo. Talvez seja mais interessante para grandes instituições ou grupos de saúde pública”, explica o médico.
Taxas - De acordo com dados do Instituto Nacional do Câncer (INCA), o câncer de mama é o segundo tipo mais frequente no mundo e o mais comum entre as mulheres, respondendo por 22% dos casos novos a cada ano. Se diagnosticado e tratado oportunamente, o prognóstico é relativamente bom.
No Brasil, as taxas de mortalidade por câncer de mama continuam elevadas, muito provavelmente porque a doença ainda é diagnosticada em estádios avançados. Na população mundial, a sobrevida média após cinco anos é de 61%. (HSM)
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