Entregar até mil correspondências em um único dia. Parece improvável, não? Pois essa é a rotina de alguns carteiros que trabalham em Belém. Diante de diversas dificuldades, muitas vezes a missão se torna impossível. “O clima aqui dificulta muito. A temperatura é alta, até cachorro atrapalha”, relata um carteiro que está há 25 anos na profissão, mas não quis se identificar. “O pior é que, se não conseguir entregar tudo, vai acumulando trabalho”, completa outro carteiro, que também pediu para não ser identificado.
Para o Sindicato dos Trabalhadores da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos do Estado do Pará (Sincort/Pa), a sobrecarga no volume de entregas está ligada a um número reduzido de profissionais. “Na maioria dos setores, a quantidade de correspondência é muito grande e o número de carteiros insuficiente”, afirma Israel Rodrigues, diretor financeiro do Sincort/Pa.
Para se ter uma ideia do volume de correspondências entregues, somente no setor do bairro do Telégrafo são aproximadamente 46 mil por dia. “Neste setor temos 40 carteiros, o que dá uma média de mil cartas por carteiro ao dia”, contabiliza Rodrigues. Outro problema relatado pelos profissionais é o tempo reduzido para fazer as entregas. “A carga horária é de 8 horas por dia, mas na rua mesmo o carteiro passa de 2 a 3 horas porque antes precisa fazer o trabalho interno de tratar as correspondências. Só depois sai para fazer as entregas”.
No retorno para os centros de distribuição, o carteiro precisa “prestar contas” do volume de correspondências entregues. “A cobrança é para que o carteiro zere o distrito onde foi entregar, mas, por mais que ele se esforce, não há condições de entregar tudo”, diz o diretor. (Diário do Pará)
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