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Seminário sobre violência contra mulher acaba hoje

A cada 15 segundos uma mulher é espancada no Brasil, segundo pesquisa da Organização Mundial de Saúde (OMS). Violência que pode ser física, verbal ou sexual e que traz inúmeros impactos para a vida da vítima. “O impacto maior é a morte, mas a agressão

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A cada 15 segundos uma mulher é espancada no Brasil, segundo pesquisa da Organização Mundial de Saúde (OMS). Violência que pode ser física, verbal ou sexual e que traz inúmeros impactos para a vida da vítima. “O impacto maior é a morte, mas a agressão também acarreta doenças, suicídios e muitas sequelas”, afirma a enfermeira Vera Lúcia de Azevedo Lima, que também coordena o seminário “Violência contra a mulher amazônica: controle, prevenção e impacto”, que acontece até hoje, em Belém.

Mas a violência também acarreta impactos indiretos na sociedade, gerando diminuição da força de trabalho produtiva e trazendo medo e insegurança. “Às vezes, a violência chega ao grau máximo, que é a morte. Tira da sociedade uma mulher produtiva que poderia contribuir economicamente na educação e em sua família. A violência afeta todas as necessidades humanas básicas da mulher”, diz a enfermeira.

TRAUMA

No campo profissional, a violência doméstica também traz consequências para a vítima, como a diminuição da produtividade. Dados do Banco Mundial e do Banco Interamericano de Desenvolvimento revelam que a cada cinco dias de falta de trabalho no mundo uma é ocasionada pela violência doméstica e que a mulher vítima deste tipo de situação ganha menos do que uma que não é agredida.

Os traumas para a vítima também se refletem na qualidade de vida, independente do tipo de violência sofrida. “A pior violência é a sexual porque une a violência física e psicológica. É um trauma que muitas mulheres não conseguem superar. A violência física deixa marcas, mas é um quadro mais reversível”, avalia a psicóloga Rita Paranhos. Entre as consequências, estão a dificuldade de se relacionar com outras pessoas, depressão, tentativa de suicídio e até mesmo sentimento de culpa por ter “permitido” a agressão.

MEDO

Em Belém, os casos de violência ainda são muito comuns. De janeiro de 2009 a dezembro de 2010, aproximadamente 22 mil mulheres vítimas de violência buscaram ajuda da Delegacia Especializada no Atendimento da Mulher (Deam). O número é expressivo, mas pode ser ainda maior. “Ainda existe muita subnotificação porque muitas mulheres ainda dependem do marido para sobrevivência”, destaca a coordenadora.

A delegada Alessandra Silva, diretora da Deam, afirma que lesões e ameaças são os tipos de agressão mais registrados na delegacia.

Apesar de avanços no combate à violência, como a criação da lei Maria da Penha, muitas vítimas acabam não levando as denúncias até o fim. “Temos muitas denúncias, mas nem todas são formalizadas. Muitas mulheres ainda querem tentar uma conversa”, diz.

Por mês, cerca de 560 boletins de ocorrência são registrados na Deam.

SERVIÇO

Seminário “Violência contra a mulher amazônica: controle, prevenção e impacto”, hoje, no Auditório Silveira Neto, no Instituto de Ciências da Saúde/UFPA (Av. Generalíssimo Deodoro, nº 01). Informações: 3201-6830; http://icsufpaviolenciamulher.blogspot.com.
(Diário do Pará)

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