“Percorri quatro hospitais, todos conveniados com o SUS (Sistema Único de Saúde), mas nenhum deles quis me internar. Por falta de leito para mim ou por não ter UTI Neonatal para a minha filha, tive que pagar cinco mil reais para o bebê nascer de forma decente e segura”. Esse é o desabafo da técnica de enfermagem Tatiana Francês, 31 anos. Mãe de Ana Sofia, de 14 dias, Tatiana resumiu com poucas palavras como foi a sua saga na rede pública de saúde para conseguir ser internada para dar à luz em uma gravidez de risco.
Infelizmente, situações como esta não são casos isolados. O atendimento precário e o despreparo das unidades de saúde refletem no número de mortes de mães e bebês alcançado pelo Estado apenas em 2009. De acordo com a Secretaria de Estado de Saúde (Sespa), 78% dos óbitos infantis ocorrem no período neonatal (0 a 28 dias de vida) que estão relacionados com a falta do pré-natal e da assistência ao parto. Já os óbitos maternos chegam a 40% e são causados pela hipertensão arterial, hemorragia, infecção depois do parto, aborto inseguro e doenças cardiovasculares.
ATENÇÃO MÁXIMA
Para tentar melhorar o atendimento às grávidas e aos recém-nascidos, o Ministério da Saúde lançou em março o plano “Rede Cegonha” que deve ser implantado em todo o Brasil até o final deste ano. O programa tem como objetivo efetivar todas as leis e portarias já existentes para assistência das pacientes.
O plano deve vir munido de algumas mudanças. Nos postos de saúde, por exemplo, será introduzido o teste rápido de gravidez; além da vinculação da gestante com a maternidade para que a grávida já saiba desde o início onde dará à luz; haverá a ampliação da rede de assistência e mais agilidade nos exames e resultados. Além de as grávidas receberem auxílio para se deslocarem até os postos de saúde para realizar o pré-natal e à maternidade na hora do parto, com vale-transporte e vale-táxi.
No Pará, o projeto deve ser gerenciado pela Sespa e será implantado inicialmente nos municípios que compreendem a Região Metropolitana de Belém, por estarem com o maior número de grávidas e com o índice de mortalidade infantil mais elevado. Segundo Ana Cristina Guzzo, coordenadora de saúde da criança da Sespa, o Estado está providenciando o plano de ação e deverá fiscalizar para que tudo seja colocado em prática. O recurso nacional para o “Rede Cegonha” gira em torno de R$ 9 bilhões para investimentos até 2014.
INFRAESTRUTURA
O Rede Cegonha prevê a criação de 2 casas de parto, 3 casas do bebê e 2 casas da mulher; 5 salas de pré-parto, parto e pós-parto. (Diário do Pará)
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