Homens do Batalhão de Choque da Polícia Militar, da Divisão de Investigações de Operações Especiais, do Corpo de Bombeiros e do Instituto de Criminalística deram apoio a um mandado de reintegração de posse expedido pelo juiz Raimundo das Chagas Filho, da 4ª Vara Cívil, contra 18 famílias que ocupavam um terreno localizado na passagem Astronauta, no km-06 da avenida Augusto Montenegro.
Segundo os moradores, a área pertence à empresa Central do Padeiro, que vinha tentando obter a liberação do terreno por meio da Justiça. Os moradores disseram que logo que saiu o mandado, eles foram intimados a sair do terreno.
Na semana passada, eles foram notificados e ontem houve uma mobilização com um bloqueio na passagem Astronauta, impedindo a entrada dos caminhões e carros da Polícia Militar. O major Alencar, que estava no comando da operação, tentou pacificar os moradores.
NEGOCIAÇÃO
Durante 1h, houve intensa negociação e muito bate-boca entre os moradores e os militares que davam apoio à ação. Após a chegada do tenente coronel Campos, do Comando de Missões Especiais, houve nova tensão, depois que o oficial informou que a PM estava ali para cumprir o mandado de reintegração de posse em favor dos proprietários da área.
Um morador, que pediu para não ser identificado, disse que eles estão na área há seis anos. “Nós fizemos inclusive proposta para comprar os terrenos, mas o dono não aceitou. Nós investimos o que ganhamos em nossas casas que agora nem indenizadas serão”.
Pessoas que passavam pelo local repudiaram a atitude de algumas mães que, para garantir que a tropa do Batalhão de Choque não se aproximasse da entrada do terreno, acabaram colocando crianças de colo como escudo humano. “Isto é um crime. Onde está a essência de mãe colocando estes bebês em situação de risco?”, reclamou o ambulante Sérgio Cristo.
O tenente coronel foi informado pelos moradores que um advogado estaria no Tribunal de Justiça tentando revogar a decisão do juiz da 4ª Vara Cívil. “Vamos aguardar mais 50 minutos e, caso não tenhamos esta decisão, os senhores serão convidados a retirar seus pertences porque a PM vai dar apoio para que a reintegração seja cumprida”, informou o oficial.
Terminado o prazo, os moradores acabaram saindo pacificamente, retirando pertences que foram colocados em caminhões cedidos pelo proprietário do terreno. (Diário do Pará)
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