A Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa) está garantindo todo apoio ao município de Novo Progresso, no oeste do Pará, nas ações de prevenção à hantavirose e na assistência aos pacientes infectados. A hantavirose é uma doença infecciosa grave, causada por hantavírus e transmitida por ratos silvestres, que eliminam vírus pela saliva, fezes e urina. A infecção no homem acontece pela inalação dessas secreções misturadas com poeira, principalmente em ambientes fechados.
A hantavirose é uma doença que se agrava rapidamente e pode levar à morte por insuficiência respiratória e renal. No estágio inicial pode ser confundida com gripe, dengue, leptospirose, malária e outras doenças que provocam icterícia e hemorragia. No entanto, o atendimento é totalmente diferente. Não se deve hidratar o paciente, como nos casos de dengue. Os principais sintomas são febre, dor de cabeça, dores no corpo, tosse seca, mal estar geral e dificuldade respiratória, que aparece rapidamente.
No Pará, o primeiro caso de hantavirose foi notificado em 1995, pelo Instituto Evandro Chagas (IEC), e o primeiro óbito aconteceu em 2000. Segundo o diretor do Departamento de Controle de Endemias da Sespa, Bernardo Cardoso, de 2006 a 2011 o Pará registrou 64 casos da doença, com 32 óbitos, a maioria nas zonas rurais de Novo Progresso e Altamira. Este ano já foram confirmados em zonas rurais cinco casos, todos fatais, sendo quatro em Novo Progresso e um em Itaituba.
Suporte - Devido à elevação no número de casos, a Sespa viabilizou, em 2009, a instalação de uma sala de estabilização, com suporte respiratório, no Hospital Municipal de Novo Progresso, para atendimento dos pacientes mais graves. Além disso, com apoio da Secretaria de Saúde do Mato Grosso, Ministério da Saúde e IEC, médicos, enfermeiros e demais profissionais de saúde receberam capacitação específica e passaram a prestar assistência aos casos suspeitos da doença. Com esse trabalho de prevenção, em 2010 houve a notificação de apenas dois casos da doença e nenhuma morte.
Mas em função da rotatividade de profissionais no município, há necessidade de nova capacitação, que será realizada pela Sespa em agosto. Com isso, a sala de estabilização deverá voltar a funcionar, evitando o agravamento do quadro dos pacientes.
Segundo Bernardo Cardoso, a pessoa com suspeita de hantavirose deve procurar imediatamente a unidade de saúde mais próxima, para o primeiro atendimento e encaminhamento a um hospital, onde será coletado material para sorologia. Como não há tratamento específico, o paciente receberá atendimento de suporte para controlar os sintomas, como a falta de ar, considerado o mais grave. Os pacientes em estado grave são transferidos para uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI). “Não existe vacina ou tratamento específico para hantavirose. A única medida capaz de evitar a morte é o diagnóstico precoce e o manejo adequado”, alertou Cardoso.
A região de Novo Progresso é onde está concentrada a maioria dos casos. O principal motivo é a atividade econômica e a agressão ao meio ambiente. A floresta é derrubada para a plantação de grãos, atraindo ratos silvestres, que procuram alimento nas casas e nos locais de armazenamento dos grãos.
Prevenção - A participação da população é fundamental na prevenção da doença. As principais medidas são: manter uma distância mínima de 50 metros entre as residências e a área de plantio e mata; manter o terreno livre de entulhos, que podem servir de abrigo para ratos, e arejar o local de armazenamento dos grãos, que deve ser lavado sempre com uma solução feita com um litro de água sanitária diluída em nove litros de água, não levantando poeira e deixando agir por 30 minutos, antes de alguém entrar.
Em casa, guardar sempre os alimentos em latas bem fechadas, usar barreiras na soleira das portas para impedir a entrada de ratos e fechar as janelas ao anoitecer, porque eles têm hábitos noturnos. Em caso de infestação, chamar a Vigilância em Saúde do município.
Serviço: Mais informações e orientações na Coordenação de Zoonoses da Sespa - (91) 4006-2327. (Agência Pará)
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